Analisando a indisciplina escolar e seus conflitos Rio Branco, Acre

O presente artigo apresenta a indisciplina escolar como um problema constante dentro das salas de aulas e visa buscar soluções que ajudam a reverter esse quadro. è importante entender de onde vem, o porquê vem e o que fazer para que ela não venha. A importância deste trabalho está na reflexão sobre as influências da indisciplina dentro da escola, na sociedade, na família.

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Analisando a indisciplina escolar e seus conflitos

ARTIGO

INDISCIPILINA E SEUS CONFLITOS

Acadêmica: Márcia Helena Irineu

Orientadora: Maria Aparecida Augusto Satto Vilela

RESUMO

O presente trabalho apresenta a indisciplina escolar como um problema constante dentro das salas de aulas e visa buscar soluções que ajudam a reverter esse quadro, entender de onde vem, o porquê vem e o que fazer para que ela não venha. A importância deste trabalho está na reflexão sobre as influências da indisciplina dentro da escola, na sociedade, na família e o que difere as relações dos mesmos em cada uma dessas instituições. Este tema é, sem dúvida, demasiado vasto. Tendo em consideração a sua amplitude, serão tratadas apenas algumas vertentes, não numa perspectiva de meta de chegada de conhecimentos definitivos, mas de ponto de partida para outras abordagens interativas do ato educativo. Como a indisciplina é um dos problemas que a escola enfrenta, não podia deixar de ser referido, há também, os efeitos negativos que ela produz em relação aos docentes. Hoje em dia as escolas não podem abrir mão de sua responsabilidade quanto à indisciplina que, realmente é um problema bastante complexo, pois envolve a formação e consciência do sujeito do seu caráter e da cidadania. A pesquisa feita aos educadores em relação da indisciplina dos alunos, passou longe do esperado, pois os mesmo se vêem apáticos diante de tal situação. Os conflitos, segundo eles existem por causas diversas, classes heterogêneas, a falta de dialogo entre professor e aluno, falta de motivação, a bagagem que o aluno trás que não é aceita pela escola, a falta de controle dos pais e etc. A impotência diante dessas causas, condiciona à indisciplina e cabe a escola promover e apropriar um saber elaborado, criativo, crítico e solidário, capaz de capacitar e desenvolver a cidadania das diferentes culturas dessa nação.

Palavra-chave: indisciplina, escola e família.

INTRODUÇÃO

A indisciplina é um dado que se mostra cada dia mais presente no meio educacional e na família e isso é visível e reflete na sociedade, principalmente nos diversos espaços das escolas das redes públicas e particulares. A indisciplina é decorrente do meio em que se vive, portanto a consciência do sujeito se forma dentro da sua própria realidade, ou seja, ele vai viver e se comportar da maneira com a qual aprendeu a viver, sendo assim a atividade consiste na busca da ligação entre o mundo externo e a mente humana. Independente de qualquer época deve-se ensinar pensando no aluno, é necessário conhecer o seu mundo, as suas diversas formas de comunicação. A relação professor/aluno deve ser baseada no diálogo, o professor deve ser um exemplo, para que possa exercer, sem autoritarismo, a sua função educativa. Deve proporcionar, na sala de aula, um clima de participação e respeito, sem esquecer que o aluno é um indivíduo com direito a ter dúvidas, a ter dificuldades, a ter opiniões, a colaborar e participar. Identificar, conhecer, analisar e compreender a indisciplina e suas complicações pode até não facilitar a compreensão, mas a aceitação de que o fato tem real fundamento, isso sim, trás a certeza de que pode ser revertido, pensando dessa forma, é possível, desativar os estacionamentos das escolas, é possível fabricar um freio resistente para que os acidentes não voltem acontecer. Portanto a indisciplina pode ser um fato discutido por muitos, mas o real fato agora é deixar de somente discutir, pois teoria é o que não falta para essa questão, é colocar em prática tudo o que foi discutido para reverter esse quadro polêmico.

A Reversão da Indisciplina

Segundo Aquino (1996, p. 98), a tarefa de educar, não é responsabilidade da escola, é tarefa da família, que ao docente cabe repassar seus conhecimentos acumulados, Ele ainda aponta que a solução pode estar na forma da relação entre professor e aluno, ou seja, a forma que suas relações e vínculos se estabelecem, aponta também que a solução pode estar no desenvolvimento do resgate da moralidade discente por meio da relação com o conhecimento e que esse conhecimento deve ser construído socialmente, sem rigidez ou autoridade.

Segundo Vasconcelos (1997, p. 227 a 252), a indisciplina é um problema que atinge muitos paises e não apenas o Brasil, mesmo tendo consciência das peculiaridades aqui encontradas. Exemplos de que a indisciplina é um problema mundial podem ser observados na França, onde as gangues estudantis batem nos professores; nas escolas públicas norte- americanas acontecem elevado número de mortes por violência, conseqüência da indisciplina; na rígida disciplina japonesa que ocasiona suicídios e também a falta de criatividade. Esses exemplos comprovam ser a indisciplina um assunto de amplitude e complexidade que ultrapassa os limites territoriais e sociais de nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, como é o caso do Brasil. Para Vasconcelos, as questões indisciplinares têm ocupado um espaço cada vez maior no cotidiano escolar do país e a grande insatisfação decorrente dessas questões tem constituído em causa de abandono e de doenças, principalmente nervosas, do quadro do magistério. As reclamações dos professores, atualmente partindo até mesmo dos professores da pré-escola, é uma tendência que ainda não é generalizada, porém é preocupante e merece nossa reflexão e discussão, uma vez que é causa de repetência, evasão escolar e também constitui conseqüência de fracasso do planejamento inicial do professor e da escola, o que serve para reforçar a necessidade de aprofundar nessas questões; portanto, torna-se mais relevante a proposta desta pesquisa.

Para Fleuri (1997), que é contra o autoritarismo na escola, os salários baixos e as péssimas condições de trabalho além de dificultar, desvalorizam a ação educativa dos profissionais que atuam na educação. É gigantesco o processo de evasão escolar e o caráter autoritário da escola denigre sua função educativa e social. Esses sistemas de conflitos e problemas são muito mais profundos, a escola que deveria promover a apropriação de um saber elaborado, criativo, crítico e solidário, capacitando as pessoas para o desenvolvimento das diferentes culturas, confere certificados e diplomas a funcionários burocráticos com aptidão apenas para reproduzir as relações exploradoras e de dominação.

A prática educativa segundo Paulo Freire (1996, p. 46), deve desenvolver: “um caráter formador, propiciar relações, treinar a experiência do ser social que pensa, se comunica, que tem sonhos que tem raiva e que ama”. Baseado nessa filosofia, o educador deve dar a devida importância à parte social do aluno, porque é nela que ele vive sua realidade dia-a-dia, é nela que ele desenvolve seus instintos e é a partir dela que a indisciplina pode desabrochar. O educador democrático não pode esquecer que ensinar não é transferir conhecimentos, mas sim, criar possibilidades de construção, pois o aluno é ser humano inacabado, ele nunca deve transformar a autoridade em autoritarismo. Portanto, o aluno precisa de estímulo para desenvolver sua transformação num ambiente de liberdade.

RESULTADOS ALCANÇADOS

As entrevistas foram realizadas em três escolas municipais, sendo uma de educação com ensino infantil e fundamental (até a 4ª série), a segunda escola também oferece somente o ensino fundamental (de 1ª a 8ª série) e a última escola com ensino fundamental e o ensino médio (5ª ao 3º ano do ensino médio), são todas as três escolas públicas, com suas instalações consideradas duas no centro da cidade e uma na periferia, a pesquisa teve duração de três dias. Num total de 100% dos entrevistados, 50% responderam oito questões, em forma de questionário e os demais responderam a entrevista oralmente.

Foram entrevistados oito professores, uma supervisora e uma diretora. Nas respostas obtidas, 30% dos entrevistados, levantaram a hipótese de que o aluno quando castigado por uma travessura, uma discussão com o colega ou uma nota baixa, passa a ter o sentimento de mágoa e aversão, para com os que o castigaram e isso vai aumentando ao ponto de que esse aluno se torne violento, passando a ter um reflexo explosivo, no que segundo eles, isso acontece por falta de diálogo entre professores, pais e alunos, porque os pais e professores devem colaborar para que o entusiasmo desse aluno e sua auto-estima se eleve, eles devem ter muito carinho e muita paciência, criando assim um ambiente propício para que ele sinta prazer no seu aprendizado.

Já 25% dos entrevistados, acreditam que quando a família, o professor e a sociedade, são rígidos e violentos, as crianças e os adolescentes também vão copiá-los, para esses, o aluno que fica quieto como se estivesse parafusado na carteira, com certeza está doente, segundo eles, o professor que sonha com esse aluno, não escolheu a profissão certa, porque esse não é um sonho pedagógico, que o professor é um formador de opiniões e não um dominador.

Os 45% restantes, acreditam que a indisciplina tem início em casa, porque quando o ser humano se apresenta agressivo, ansioso, violento e angustiado é resultado de problemas e segundo eles, tudo isso pode ser resultado de castigos severos como também pode ser causadas pelo desajuste familiar, como desemprego na família, que acarreta brigas e discussões, pais alcoólatras, drogados, pais que espancam a mãe, é o que causa a maioria dos problemas de indisciplina de muitos alunos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nas entrevistas, pude perceber que os professores, estão despreparados, desorientados e desmotivados nessa questão de indisciplina, sentem-se perdidos, inseguros até nas próprias respostas, como se não soubessem qual passo devem dar, como se não soubessem como explicar a origem da indisciplina dos seus próprios alunos e nem se mostraram surpresos com a existência dela em suas escolas. Para eles, ela existe, causa problema, dificulta o andamento do aprendizado, mas não mostraram interesse em saná-la. Segundo Fleri (2008), os salários baixos, as péssimas condições de trabalho, dificultam a motivação dos educadores. Conforme ele, a escola deveria valorizar a ação dos professores, capacitando-os para que desenvolvam a heterogeneidade das culturas e assim excluir o sistema de dominação autoritária que existe na maioria das escolas brasileiras. Entretanto Piaget (1996) levanta a questão da formação do indivíduo, se eles estão na escola para se formarem livres ou conformistas. Segundo ele, o que a educação objetiva é formar indivíduos autônomos e cooperativos, a escola é quem deve criar um ambiente de cooperação e socializador, ao professor cabe o dever de colaborar e construir um ambiente com regras coerentes. Paulo Freire, em seu livro, Pedagogia da Autonomia, também fala do caráter, das relações, da experiência social, da comunicação, dos sonhos, da raiva e do amor, que devem ser desenvolvidos junto à prática educativa, acredita que o educador deve conhecer o dia-a-dia do aluno, porque, segundo ele, é nessa realidade que o aluno desenvolve seus instintos e desabrocha a indisciplina. Para Freire, ensinar não é transferência de conhecimentos e sim, “é construção”. O educador não pode esquecer que o aluno é um ser humano inacabado, e só a partir dessa visão que ele irá entender que o aluno precisa se desenvolver num ambiente de liberdade.

Portanto a minha conclusão é de que os educadores precisam olhar para fora da janela, esquecer um pouco do giz e livros e se mostrarem mais humanos, precisa procurar dentro de si mesmos e buscar respostas como se fossem para si próprios, a forma que gostariam de estudar, de que maneira gostariam de participar, pois a maioria das respostas da pesquisa foi descartar sua própria culpa no desenvolvimento da indisciplina na escola. Sendo assim, mesmo que a indisciplina seja vista de maneira diferenciada pelos professores, a falta de diálogo entre professores e alunos, inibe a formação de vínculos entre eles e isso dificulta o repasse do aprendizado. O entusiasmo e a motivação são sinônimos interligados ao relacionamento de docentes e discentes. Os conflitos existentes, decorrentes das diferentes classes sociais, condicionam à indisciplina, pois cada um trás uma bagagem que não é aceita pela escola ou nem se quer é discutida por ela. A indisciplina para a família perdeu sua classificação na instituição maior que é a sociedade. A disciplina está se distorcendo porque a família perdeu o conceito da indisciplina, este conceito não faz parte da organização real não provoca no sujeito o seu conhecimento, dessa forma a família perde o papel de mediadora na compreensão do que é disciplina. A escola tem a função de facilitar o processo de socialização do indivíduo e para cumprir com essa função numa sociedade democrática a escola tem que educar para o exercício da democracia. Não há como ensinar crianças e adolescentes a exercer a democracia em um processo de ensino-aprendizagem autoritário, em uma vivência autoritária.

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia, 33ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996;

FLEURI, R.M. (1997). Educar para quê? São Paulo: ed. Cortez;

VASCONCELOS, Celso dos S. Os desafios da Indisciplina em sala de aula e na escola. Publicação: Série Idéias n.28. São Paulo: FDE, 1997;

AQUINO, Julio Gropa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas. 9ª ed. São Paulo: Summus, 1996;

Piaget, J. Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: ed. Forense, 1973;

Márcia Helena Irineu

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