Aprenda 10 dicas para ajudar em redes sociais Cachoeirinha, Rio Grande do Sul

Aprenda 10 princípios, que mostram a simplicidade das boas soluções e a necessidade de se trabalhar em redes sociais. A humildade, que está na base da filosofia indiana, traduz um pouco desse princípio. Quem não conseguir abrir mão do reconhecimento, é melhor passar para outra pessoa fazer.

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Aprenda 10 dicas para ajudar em redes sociais

Por Tatiana Csordas

pessoas-charam2 O consultor indiano que inspirou líderes como Jack Welch, da GE, espalhou a semente da inovação social para os mais de mil participantes do Global Forum América Latina, promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), em Curitiba. “O pensamento é mais importante que dinheiro. Na minha casa, todos eram analfabetos, não havia dinheiro, nem eletricidade, meu pai nunca leu um jornal em seus mais de 80 anos, e mesmo assim a transformação foi possível”, encoraja o primeiro professor indiano a lecionar em Harvard.

“Ignorem o analfabetismo, ignorem a pobreza, procurem o poder de pensar, o poder de escutar, o poder de falar”, estimula. Para quem quer começar a fazer a diferença e não sabe o que fazer nem como, Charan propôs 10 princípios, que mostram a simplicidade das boas soluções e a necessidade de se trabalhar em redes sociais:

1. Definir a causa, a missão, o resultado que se quer atingir. Mas não basta pensar genericamente. É preciso ser específico, quantificável, como fazem as empresas. Por exemplo: uma comunidade de Uganda precisa de uma solução para promover a saúde. Mas cada habitante dispõe de, no máximo, US$ 1 por mês para um seguro-saúde. Então essa é a realidade concreta que se deve trabalhar.

2. Quem deve se comprometer localmente? A palavra-chave nesse caso é compromisso. Quem são esses grupos locais que precisam ser ajudados? De outra parte, é preciso saber também quem poderá ajudar. No caso do exemplo de Uganda, quais são os médicos envolvidos? Essas pessoas também precisam de dinheiro, pois se não tiverem como se sustentar, o projeto não terá continuidade.

3. O próximo passo é dialogar com as pessoas. O que está faltando? Quando se inicia o consenso, começa o poder de interação. Muitas pessoas e empresas lançam projetos sociais sem nem saber se o que está sendo feito corresponde à necessidade da comunidade pretensamente beneficiada. As conversas com os grupos locais levam a insights. E a academia também pode ajudar nesse processo. Já que sabem como buscar o problema, podem elaborar pesquisas para detectá-lo. Assim, mais uma ponta da rede se une ao processo de inovação social.

4. Depois entra a empresa, ou o poder de administrar, de gerir, de criar um plano de negócio viável para um seguro-saúde construído a partir de US$ 1 mensal por pessoa, por exemplo. E isso é possível. Basta ver quem faz, como está sendo feito em outras comunidades. Na Índia, pode-se realizar uma cirurgia de catarata por US$ 10. Na China, há produtos que custam dois centavos, que é o que a maioria da população pode pagar. No caso do serviço de saúde de Uganda, o custo administrativo teria de ser de no máximo US$ 0,10 para que o médico recebesse US$ 0,90 de cada segurado. Como isso é possível? É preciso ser criativo. A falta de dinheiro leva à inovação. Com computadores doados, foi possível montar um sistema que eliminava completamente o papel e o dinheiro ia diretamente para o médico.

5. É preciso projetar o sistema, o modelo em que o projeto vai funcionar. E esse processo não vai funcionar se as pessoas envolvidas não concordarem. Aí é preciso voltar ao diálogo, encontrar as pessoas e integrar todos os grupos: organização social, comunidade, empresa, universidade, governo.

6. A liderança é outro princípio fundamental para uma iniciativa social eficaz. É preciso encontrar esses líderes? Quem são? Há pessoas confiáveis entre elas? É preciso envolver todo mundo. Nenhum grupo vai ser sustentável socialmente sem um líder.

7. É preciso também abrir mão do ego. Quando você está satisfeito isso não é refletido em publicidade, mas em bem-estar pessoal. A humildade, que está na base da filosofia indiana, traduz um pouco desse princípio. Quem não conseguir abrir mão do reconhecimento, é melhor passar para outra pessoa fazer.

8. A rede funciona e se renova com reuniões periódicas entre todos envolvidos que estimulam o comprometimento. Às vezes, as pessoas querem fazer tudo, concentrar todas as ações, mas isso não é possível. É preciso dividir para multiplicar. Outra orientação é escolher 3 prioridades e fazer algo mensurável, com palavras que especifiquem as ações.

9. A criatividade também faz parte dos princípios para a inovação social. Onde se consegue recursos para fazer algo? Ao compartilhar informações, novas soluções podem surgir. É o que propõe Bill Gates, em sua ação pós-aposentadoria da Microsoft. Para promover a saúde, ele quer criar uma grande rede de banco de dados, unificando e compartilhando informações sobre o que está dando certo para difundir a saúde globalmente. E tudo isso com trabalho voluntário.

10. O princípio que encerra a proposta de Ram Charan, na verdade, é um princípio que deve nortear todas as ações e estimular sua renovação. É o princípio da felicidade, que rege a vida dos indianos, apesar da realidade adversa. É ser feliz e fazer os outros felizes. “Os indianos acreditam em reencarnação. Não vamos levar dinheiro conosco e precisamos deixar coisas boas para trás, pois vamos encontrá-las novamente”, reflete Ram Charan.

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