Aprenda a técnica de interpretação de trilhas Brasília, DF

A especialista em turismo Carmen Lorenci explica uma técnica pedagógica aplicada ao percurso das trilhas ecológicas. Compreenda os princípios da interpretação ambiental. "A técnica de interpretação de trilhas que contribui para a qualidade da experiência do visitante, ao mesmo tempo em que, mantém a qualidade ecológica para gerações futuras", ela diz.

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Aprenda a técnica de interpretação de trilhas

INTRODUÇÃO

A principal função das trilhas sempre foi suprir a necessidade de deslocamento. No entanto, as trilhas surgem como novo meio de contato com a natureza. O ato de caminhar e observar ou contemplar as paisagens que o caminho proporciona, adquire na pós-modernidade um significado que vai além do ato de caminhar, mas chegar em algum lugar diferente de quando começou o caminho.

Trilhas ecológicas de uma maneira geral, requerem estudo técnico do local e da destinação do seu uso . Não podemos ignorar que as áreas naturais estão regidas por um Código Florestal Brasileiro e amparadas por legislação ambiental que orientam o uso e/ou manejo dessas áreas e que deste produto final interessa ao ecoturista , não só o atrativo propriamente dito , mas principalmente o prazer da caminhada, a segurança, a qualidade e a informação no sentido de uma educação ambiental informal ou mesmo uma prática didática na natureza. 

 

TURISMO

 De acordo com a EMBRATUR (2002), turismo é gerado pelo deslocamento voluntário e temporário de pessoas para fora dos limites da área ou região em que têm residência fixa, por qualquer motivo, excetuando-se o de exercer alguma atividade remunerada no local que visita.

 O turismo atual surge após a revolução industrial através do avanço tecnológico que proporcionou a melhoria dos transportes e o desenvolvimento da economia. Após a revolução Industrial surge uma preocupação maior com o ser humano, e o turismo passa a ser um complemento para o aprendizado. Ruschmann & Rodrigues (1994) declaram que durante o seu desenvolvimento o turismo apresentou fases de relacionamento com o meio ambiente, a primeira fase foi de descoberta do meio ambiente, no segundo momento a proteção era algo desnecessário, tendo em seguida uma modificação e degradação rápida do meio ambiente através do turismo de massa, onde ocorreu um domínio brutal do turismo sobre a natureza, a quarta fase foi a de reparação e renovação do turismo através da revalorização do meio ambiente tendo como norte o conceito de Desenvolvimento Sustentável e posteriormente o ecoturismo, uma modalidade que ao homem investir num lazer com contemplação ou interação com o meio ambiente.

SUSTENTABILIDADE E ECOTURISMO

 A sustentabilidade ecológica é um elemento essencial dos valores básicos que fundamentam a mudança da globalização. Vários organismos governamentais ou não, estão empenhados em desenvolver projetos que tornem as comunidades sustentáveis.

 De acordo com o código de ética difundido pela OMT (Organização Mundial do Turismo), os empreendedores do setor de turismo, bem como os funcionários da atividade e os turistas, devem observar as condições naturais do ambiente, bem como as tradições culturais e sociais e as práticas de todas as populações nativas, incluindo as minorias e os grupos indígenas, assim como o reconhecimento do valor destes. Pode-se entender que a atividade deve estar em harmonia com a natureza, e respeitar as práticas culturais de cada comunidade turística assegurando assim os recursos naturais para as gerações futuras..

Usar estes recursos racionalmente, evitando o desperdício e utilizando processos de recuperação e reciclagens também são práticas que visam a sustentabilidade do ambiente. 

No conceito da Embratur, o ecoturismo é um segmento que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca à formação de uma consciência ambientalista, através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar da população envolvida.

As práticas ecoturísticas procuram minimizar os impactos negativos que ocorrem no meio ambiente e no contexto sócio-cultural , contribuindo para a geração de trabalho e renda prezando a manutenção da biodiversidade, pois esta tem elementos como os ecossistemas que alimentam a atividade ecoturística sustentável.

 O desenvolvimento sustentável do turismo deve considerar a gestão de todos os ambientes, os recursos e as comunidades receptoras, de modo a atender às necessidades econômicas, sociais, vivenciais e estéticas, enquanto a integridade cultural, os processos ecológicos essenciais e a diversidade biológica dos meios humano e ambiental são mantidos através dos tempos.

Nos últimos anos, o Ecoturismo vem crescendo rapidamente, aumentando a procura por este tipo de turismo, o número de publicações, de programas de TV, de órgãos ligados ao assunto, etc.

Para a EMBRATUR (2002), existem diversas hipóteses para tentar explicar o porquê de as pessoas estarem buscando esse tipo de atividade. As mais comuns são a preocupação com o meio ambiente, maior conscientização ecológica e uma maneira de fugir da rotina e do estresse dos grandes centros urbanos.

Trata-se, portanto, de acordo com Ruschmann (2000) de um “novo turista” que se constitui em um nicho de mercado de pessoas ambientalmente conscientizadas que, na busca do contato com ambientes naturais preservados, atuam no sentido da conservação do ecossistema visitado e contribuindo para a sua sustentabilidade.

TRILHAS

A maior parte das trilhas hoje utilizadas em ecoturismo são caminhos tradicionalmente usados por determinadas comunidades para se locomoverem. Desde a ocupação portuguesa, ainda no Brasil colônia os portugueses utilizavam os caminhos abertos pelos indígenas para alcançarem o interior do país; assim também os bandeirantes em busca do ouro ou os tropeiros que cruzaram o sul do país..

  1. Toda a trilha deve ser planejada em termos de finalidade, construção , segurança , conservação e manutenção.

O planejamento de uma trilha envolve :

a) o estudo de drenagem do tipo de solo existente;

b) a dimensão da trilha – largura x comprimento a qual deve estar associada a modalidade do uso : trekking , ciclismo, ;

c) a segurança que pode ser através da construção de mirantes para observação do atrativo que está em difícil acesso e até mesmo a colocação de placas de sinalização de alerta em áreas consideradas de risco;

d) a manutenção , sobre a qual influi a capacidade de carga utilizável .

Observa-se que em locais com declives muito acentuados , a erosão natural do solo e até mesmo a provocada pelas chuvas, determinam a necessidade de uma drenagem mais eficiente , o que torna a construção da trilha mais onerosa. Neste caso, a opção seria acompanhar a configuração natural do terreno, criando-se trilhas em zig-zag , aproveitando-se as curvas de níveis - uma técnica que resulta numa trilha sinuosa com possibilidades de quebrar o impacto visual do grupo que caminha , tornando o acesso ao topo de uma montanha de forma leve .

Trilhas muito frequentadas ficam mais compactadas , o que pode ser amenizada com a colocação de cascalho, brita , ou no caso de fluxo intenso, até a pavimentação da trilha como fator de manutenção. Sempre que possível deve-se criar trilhas alternativas ou rotas de fuga, para diminuir o pisoteio e consequentemente a compactação do solo , além de tornar mais atraente a caminhada. Outro fator importante na construção de trilhas é conservar ou restaurar a vegetação ao longo desta , para manutenção da cobertura vegetal nativa.

O importante no uso de uma trilha é a informação que poderá ser veiculada através do recurso planejado de trilha auto-guiada ou trilha guiada .

Quando bem elaboradas, conseguem promover o contato mais estreito entre o homem e a natureza, possibilitando conhecimento das espécies, animais e vegetais, da história local, da geologia, da pedologia, dos processos biológicos, das relações ecológicas, ao meio ambiente e sua proteção, constituindo instrumento pedagógico muito importante.

No tipo de auto-guiada , o uso de placas de sinalização com informações básicas como: nome da trilha, extensão , grau de dificuldade ( leve, médio, difícil), destino do lixo , descrição resumida dos atrativos, outros.

No entanto, a trilha guiada , necessita da presença de recurso humano treinado , no caso, um condutor de trilha ou um guia de turismo ecológico, ou melhor ainda que este guia seja um interpréte da natureza, pois além de proporcionar ao visitante , informações básicas sobre o local , paradas técnicas estratégicas com objetivo de descanso, reabastecimento de água, registro fotográfico e observação da paisagem ele irá contribuir para um melhor experiência deste visitante

 

A INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL

O objetivo da interpretação ambiental “ é revelar os significados, relações ou fenômenos naturais por intermédio de experiências práticas e meios interpretativos, ao invés da simples comunicação de dados e fatos (TILDEN, 1957).

Segundo (HAM, 1992 e SCHIAVETTI, 1999) qualquer abordagem interpretativa que objetive parecer menos técnica e diferenciada de uma simples transferência de informações deve conter as seguintes qualidades:

- interpretação deve ser amena e promover o entretenimento;

- interpretação deve ser pertinente, ou seja, deve ter significado e ser pessoal ;

- interpretação deve ser organizada;

- interpretação deve ter um tema central ou um objetivo a ser alcançado;

- incentivar a participação;

- provocar e questionar o visitante;

- usar o bom humor.

Existem diferentes meios de interpretação, mas a escolha do mais adequado vai depender das características do local, das características dos visitantes e dos recursos técnicos e materiais disponíveis.

Num processo simples mas que envolve conhecimento, um guia intérprete deve valer-se dos recursos naturais levantados em inventários como a flora, fauna, geomorfologia, ecossistemas, hidrografia e também dos recursos culturais referentes a história, arquitetura, modos de fazer de uma comunidade, manifestações culturais (música, dança, canto, artesania, culinária). A identificação do público alvo deverá ser feita para a definição dos temas e do método de interpretação mais adequado.

Nesta concepção pode-se citar a Interpretação pessoal, organizada por um guia treinado, com técnicas que envolvam :

- a percepção do visitante

- atividades lúdicas na trilha com a participação do visitante

- inclusão de surpresas que podem ser desde degustar uma fruta nativa ou uma visita ou até uma visita ao artesanato numa propriedade que esteja no acesso ou no entorno próximo.

Um bom guia intérprete deve lembrar que o visitante também necessita de um tempo para ele inteirar-se com o lugar,como tomar um banho de cachoeira, fotografar ou simplesmente relaxar.

O guia é acima de tudo um educador, um sensibilizador que deve buscar envolver o visitante no contexto do lugar, provocando nele o encantamento, a curiosidade, o aprendizado sobre o ambiente e suas relações, contribuindo para mudanças de hábitos sócio- culturais e ambientais e auxiliando na promoção e conservação do patrimônio natural e cultural de uma comunidade .

 

PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL

Tilden em 1967, estabeleceu princípios de interpretação da Natureza que ainda são utilizados por técnicos e intérpretes de trilha pois referem-se:

- A interpretação deve relacionar os objetos de divulgação ou interpretação com a personalidade ou experiência das pessoas a quem se dirige.

- A informação, como tal, não é interpretação. A interpretação é uma forma de comunicação que vai além da informação, tratando dos significados, interrelações e questionamentos. Porém, toda a interpretação inclui informação.

- A interpretação é uma arte que combina muitas artes (sejam científicas, históricas, arquitetônicas) para explicar os temas, utilizando todos os sentidos para construir conceitos e provocar reações no indivíduo.

- O objetivo fundamental da interpretação não é a instrução, mas a provocação; deve despertar curiosidade, ressaltando o que parece, a princípio, insignificante.

- A interpretação deve tratar do todo em conjunto e não de partes isoladas; os temas devem estar interrelacionados.

- A interpretação deve ser dirigida para públicos e interesses determinados: grupos de escolas, adultos em férias etc.

- A linguagem interpretativa adota os componentes fundamentais da comunicação:

CONSIDERAÇOES FINAIS

Um turismo sustentável é baseado na preservação ambiental e para a concretização dessa atividade faz-se necessário, planejar, desenvolver programas e estabelecer metas para a promoção da sustentabilidade desse segmento, estimulando a participação da comunidade, empresários e poder público, portanto, gerenciar o ecoturismo.

Os impactos ambientais do ecoturismo devem ser amenizados através do desenvolvimento sustentável que deve considerar a gestão de todos os ambientes, os recursos naturais e culturais, as comunidades envolvidas com vistas às necessidades econômicas, sociais, estéticas, como equipamentos o uso das técnicas de interpretação de trilhas que visa promover o ser total, holístico e interado com a natureza. 

Utilizar-se de ferramentas como a técnica de interpretação de trilhas que contribui para a qualidade da experiência do visitante ao mesmo tempo em que mantém a qualidade ecológica para gerações futuras, é uma maneira de valorizar o meio ambiente. Entende-se assim, que existe um importante fazer na figura do guia intérprete pois, este agrega valor ao lugar a medida que transmite ao visitante numa dinâmica pedagógica , uma educação ambiental informal mas embasada em métodos e técnicas de interpretação dos recursos naturais e culturais da região.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAÉZ, Ana L; ACUÑA, Alejandrina. Guía para las mejores prácticas de ecoturismo en las Áreas Protegidas de Centro América. PROARCA –CAPAS- CCAD/USAID. Costa Rica,1998.

BARRETO, MARGARITA. Manual de Iniciação ao Estudo do Turismo. Campinas: Papirus, 9ª edição, 2000.

HAWKINS, Donald E., LINDBERG, Kreg. Ecoturismo: um guia para planejamento e gestão. São Paulo: Editora SENAC. São Paulo, 1999.

MOURÃO, Roberto M. F. Manual de melhores práticas para o ecoturismo. Rio de Janeiro: FUNBIO; Instituto ECOBRASIL, Programa MPE, 2004.

KRAEMER, Maria Elizabeth Pereira. O turismo ecológico e a sustentabilidade. Artigo cientifico disponível no site.www.ecoterrabrasil.com.br  

RUSCHMANN, D. V. M. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997.

WEARING, Stephen; NEIL, John. Ecoturismo: impactos, potencialidades e possibilidades. Barueri, SP: Manole, 2001.

 




Carmen Lorenci

Especialista em turismo, docente de cursos técnicos de guia de turismo, empresária do setor de turismo e hospedagem, consultora da área de turismo e meio ambiente.

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