Aprenda a usar a preposição no Português Brasília, DF

Consulte quais são regras da língua portuguesa em um capítulo prático sobre como empregar as preposições. Os ensinamentos são baseados em dois grandes linguístas: Roberto Mesquita e Marcos Bagno. Saiba o que pode ser considerável de acordo com a norma culta e popular.

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Aprenda a usar a preposição no Português

A preposição "a" deriva do latim "ad" e significa primordialmente "um movimento em aproximação". Dessa noção de movimento visando um objetivo derivou uma idéia de intensidade e um interesse afetivo, que até hoje subsistem em alguns casos, como em: Amar a Deus, Querer a alguém, cuja preposição exprime uma relação direta entre sujeito e objeto.

Ao longo do tempo foi ganhando novos significados e, atualmente, é classificada pela gramática tradicional como uma preposição essencial, ou seja, que sempre desempenha função de preposição – ligar duas palavras ou termos (MESQUITA, 1999, p. 361). Além disso, rege uma enorme quantidade de nomes e verbos e é utilizada para estabelecer relações de:

·Objetividade: Peço a Deus que me ajude

·Direção/movimento: Quero ir a São Paulo

·Modo: Vítor adora andar a cavalo

·Situação: Quando cheguei, ela estava à janela

É também a mais comum e menos especificativa de todas as preposições, pois exprime quase todas as relações existentes entre as palavras, podendo substituir várias outras.

No entanto, apesar da infinidade de casos em que pode ser utilizada acontece no português do Brasil exatamente o contrário, ao invés de substituir vem sendo substituída.

É cada vez mais frequente, tanto na língua falada quanto na escrita, nos depararmos com sentenças (condenadas pelos gramáticos como incorretas) em que ocorre a substituição de "a" por "para", "em" e "de".

De acordo com Bagno (2001, p. 145) essa substituição pode ser explicada pelo fato de não haver na fonética brasileira distinção entre a preposição simples "a"e a combinada com o artigo, que resulta a crase "à", podendo assim causar riscos de ambigüidade como em: Recomendei a professora à escola, que permite ao leitor/ouvinte duas possibilidades de interpretação "A professora foi recomendada à escola", que seria o verdadeiro sentido, ou" A escola foi recomendada à professora". Para eliminar essa ambigüidade o falante, involuntariamente, substitui a preposição "a" por "para": A professora foi recomendada para a escola, o que funciona, ao mesmo tempo, como um recurso para livrar-se do uso da crase, uma das grandes dificuldades de nós brasileiros.

Ainda segundo este autor, outra hipótese para a substituição da preposição "a" seria o fato a existência de mais de dois itens gramaticais com mesma pronúncia, o artigo feminino A, coincidentemente com igual grafia, e a forma verbal Há (Haver). Novamente, com a intenção de eliminar as possíveis dificuldades causadas por esses homônimos, o artigo feminino é preservado, substitui-se Há por Tem e a preposição por outras conforme o verbo e a situação. Consequentemente, tudo isso acarreta um crescente declínio do uso dessa preposição, que está ficando cada vez mais restrita à escrita formal.

Percebe-se, portanto, que a troca da preposição "a" por outra ocorre com variados tipos de verbos: estáticos, indicadores de repouso, situação (Estava falando no telefone / Estava falando ao telefone), com verbos indicadores de movimento (Vou no mercado / Vou ao mercado), com verbos indicadores de sentido/destino (Emprestei o livro para João / Emprestei o livro a João), com verbos que indicam meio ( Andei de cavalo / Andei a cavalo). Porém, em alguns casos de tão estigmatizada acaba sendo utilizada pelos falantes como frase-feita Como em: Andar a cavalo/Andar a pé.

Este declínio do uso da preposição "a" não significa dizer que acontece pelo simples fato de o falante não saber utilizá-la. O que ocorre é apenas um reflexo da linguagem informal, ou seja, apesar de conhecerem a forma correta, muitos falantes dão preferência à forma que consideram mais fácil de ser entendida, que já estão acostumados e que acontece com mais freqüência em seu cotidiano. Porém, esse constante apego à linguagem falada e corriqueira, pode acarretar deslizes quando necessário recorrermos à linguagem escrita formal.

BIBLIOGRAFIA:

MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8º Ed.são Paulo, Saraiva, 1999.

BAGNO, Marcos. Português ou Brasileiro?Um convite à pesquisa.São Paulo, Parábola, 2001.

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