Aprenda sobre as causas do consumismo Brasília, DF

O consumismo é um subterfúgio para mascarar medos, pânicos, tristezas e outros sentimentos. O psicólogo Sylvio Rocha avalia a relação das compras com o estado emocional dos consumidores. "O problema está ligado a permissão do sentir, procura-se saídas mágicas e desculpas para não encarar a dor", ele destaca.

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Aprenda sobre as causas do consumismo

Viver em Dívida como parte integrante da personalidade, parece ser uma nova tendência na vida moderna, o desejo da resolução dos problemas com imediatismo fixam essa nova faceta do ser moderno.

 

Nota-se com facilidade essa tendência vinda dos endividamentos importados do estilo americano (EUA), com o uso de cartões de crédito, hipotecas e outras formas de endividamentos, faz parte dessa cultura atual do ter no lugar do ser, isso determinou formas de existir que expande o capitalismo, onde o lucro é a meta a ser alcançada em contrapartida à existência. Não há preocupação com o indivíduo, ele existe enquanto consumidor e com poder de compra. O consumo assume o lugar do sentimento, precisamos consumir para nos sentir pessoas.

 

Consumir passou a ser o objeto que substitui a falta, que não é de um produto como as propagandas nos fazem crer.

 

>Compramos produtos de beleza, marca, grife, itens caros, utilizando cartões acima da posse e quando surgem promoções reais e descontos em liquidações, não sabemos discernir aquilo que realmente precisamos.

 

Observo no dia-a-dia e no consultório relatos de pessoas endividadas pedindo ajuda com cartão alheio, dinheiro emprestado, situações críticas, que não tem relação direta com o valor ganho pelo sujeito.

 

Esses dias um paciente contou e escrevo com sua autorização: ele foi à outra cidade para ajudar a irmã que estava em mudança para uma nova casa, sentia-se só e não sabia a quem recorrer. Ele prestativo e solicíto (talvez aí esteja sua questão)- foi ajudá-la, comprou todos os objetos necessários para a nova casa como geladeira, fogão. Arrumou e instalou chuveiro, aquecedor, filtro, etc.e utilizou seu cartão para os pagamentos.Na hora do almoço no intervalo do trabalho, a escolha do restaurante ficou por conta dela, que buscou um local luxuoso e com requinte, almoçaram e ao chegarem em casa, ela pareceu distante, ficou triste, já sem perspectiva e começou a chorar, falou sobre suas dificuldades financeiras. No relato trazido o paciente, percebeu que seu cartão de crédito na verdade tornara-se extensão do cartão da irmã.

 

Essa história só tem importância quando podemos entender o cerne da questão, não está na compra ou no uso de cartão, liga-se ao valor intrínseco atribuído, sua compulsão, esconde algo e isso se liga a sua forma de agir.Sem olhar-se, não por demérito, mas pela dificuldade e medo da dor.

 

O problema está ligada a permissão do sentir, procura-se saídas mágicas e desculpas para não encarar a dor e os sintomas(medos, pânicos, tristezas, dúvidas)que continuam atuando na vida cotidiana.

 

 Essas dores reafirmam que seu valor está no poder de compra, fugindo assim do sentir.Facetas de uma busca pelo imediato, fuga da realidade e da possibilidade de mudança.O valor de cada ser humano e seu lugar na sociedade. 

 

Sylvio Rocha

Sylvio Rocha é Psicólogo formado pela PUC-SP, Analista Reichiano, Pesquisador sobre Simbolismo Corporal, Criador da Técnica Integrativa de Relaxamento(TIR),Supervisor Clínico e Consultor Corporativo.

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