Aprendendo a se conhecer emocionalmente Brasília, DF

Há um estranhamento, uma sensação de estar no lugar errado, ter nascido na época errada, um não reconhecer nem aceitar seu corpo e sua vida. Esse viver pendular é assim oito ou oitenta, e entre esses dois pólos eqüidistantes a pessoa vive uma existência constantemente insatisfeita com quem percebe ser e o modo como vive. Veja mais no artigo abaixo.

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Aprendendo a se conhecer emocionalmente

Em nossa época o contato das pessoas funciona polarizado: ou se está muito longe de si – com a pele insensível, sem noção de seu volume corporal, às vezes sem perceber um ferimento ou doença até que os sintomas exijam cuidados extremos e urgentes – ou fundida em si e incapacitada de se relacionar ou comunicar com os outros, sentindo-se separada das outras pessoas, depressiva.

Esse viver pendular é assim oito ou oitenta, e entre esses dois pólos eqüidistantes a pessoa vive uma existência constantemente insatisfeita com quem percebe ser e o modo como vive, obriga-se a mudar constantemente para ser aceita por si mesma e pelo mundo, para no fim das contas continuar insatisfeita e recomeçar o ciclo vicioso de insatisfação e mudanças.

Quando se trata de autopercepção e manter-se presente o melhor é que uma pessoa não esteja nem muito longe nem muito perto de si mesma, é preciso haver uma certa capacidade para se distanciar e observar-se.

 

Um bom contato consigo, uma boa noção de si mesma, precisa ser móvel e intermediária entre as diferentes partes que compõem nossa personalidade, ou seja, é interessante que haja a possibilidade de percebermos que somos compostos de diversas camadas internas – não raro uma pessoa surpreende a si e aos outros com suas atitudes diante de uma circunstância qualquer como se não fosse ela mesma a realizar as coisas ou dizer algo que não se julgava capaz.

Essas ações provêm de partes internas, profundas, que não conhecia, com as quais não fazia contato. Quando uma pessoa conquista maior mobilidade em sua autopercepção e faz contato com suas diferentes partes pode, além disso, desenvolver seus talentos para o contato com outras pessoas. No entanto, tanto a autopercepção como a percepção do mundo, podem ser alteradas pela desconexão perceptiva e pela ausência, o distanciamento de si.

Desconexão do mundo  

 

Originalmente a desconexão é um processo defensivo e aliviante – todos já vimos crianças brincando num parque, de repente uma delas pára no meio da brincadeira, seus olhos ficam distantes, quase tristes, fitando o vazio, então ela solta um suspiro profundo e volta a brincar.  

 

Por alguns segundos ela distanciou-se de si mesma e sua percepção descansou para voltar com carga total, captando e aprendendo com os estímulos oferecidos pela atividade que está executando, no caso brincar. Podemos dizer que a desconexão é esse processo defensivo adoentado.  

 

Quando observamos e percebemos o mundo e a nós mesmos pelo viés da desconexão, captamos as coisas de um modo desvirtuado, há uma incoerência entre o mundo real e o modo como o apreendemos.

A desconexão se dá em relação ao mundo e em relação a si mesmo. Às vezes a desconexão se manifesta de maneira facilmente detectável como, por exemplo, na dificuldade em manter a concentração no que quer que seja, naquele jeito de andar como se estivesse no mundo da lua, com o corpo solto, largado, enquanto a mente vagueia por outros lugares dentro ou fora de nós. Outras vezes a pessoa desconectada sente um profundo sentimento de vazio, uma falta de sentido no viver.

Se a desconexão tornar-se crônica a pessoa já não se reconhece em si mesma e, diferente das crianças pequenas, não há alívio nesse ausentar-se. O que há é um estranhamento, uma sensação de estar no lugar errado, ter nascido na época errada, um não reconhecer nem aceitar seu corpo e sua vida.  

 

Desconectada, a pessoa tende a manter seu padrão perceptivo e autoperceptivo cristalizados e distorcidos. Quanto mais rígida e paralisada a percepção, mais deformada será a significação atribuída às experiências e inter-relações.

O estado de desconexão pode manter a pessoa ensimesmada, fusionada consigo mesma – desconectada das coisas e pessoas à sua volta, sem chegar a conhecer sua habilidade potencial para manter uma intercomunicação adequada ou trocar experiências num inter-relacionamento; incapaz de perceber as coisas a partir do ponto de vista de outros, dando a impressão de ser intratável, irascível, quando, na verdade, está sofrendo sérias dificuldades de estar junto e se comunicar com outros.

 

Ausência de si

 

Ou extremamente afastada de si pelos processos de ausência, sem saber quem é ou o que quer da vida, agregada e colada às pessoas em torno de si, invadida por olhares, pensamentos e vontades do outro, sem conseguir se defender do que lhe é imposto de fora para dentro pela cultura, costumes familiares ou educação. Acreditando em tudo o que dizem sobre quem ela é, pois tudo o que sabe de si foi dito por outros – como na alegoria de Platão em que os habitantes, após viverem muito tempo no escuro, olhando sempre para as sombras projetadas pela luz do sol na parede no fundo da caverna, passaram a acreditar em sua percepção enganosa que confundia os espectros com a realidade.

Se o estado de desconexão for muito grave a pessoa ora se abandona – tem uma baixa auto-estima e vive um profundo descontentamento consigo mesma, sofrendo com crises intensas de vazio e isolamento, como se tivesse um deserto dentro de si, árido e intransponível, a separa-la do autoconhecimento e da realização de seus desejos – ora não se importa com as suas dificuldades e limites para realizar algo e vai além de si mesma – como se limites e dificuldades fossem inimigos a serem combatidos e não alarmes que indicam necessidade de aprendizagem e descanso.

 

A dificuldade em negociar internamente com seus limites encontrando um tempo para reparar as forças físicas, aliviar a mente e reciclar os conhecimentos, geralmente leva a graves quadros depressivos e de estresse tanto profissional como relacional.

Se a pessoa estiver muito afastada de si funcionará motivada por idéias vindas de fora e não do que vem de seu interior, terá sérias dificuldades em estabelecer sua identidade e a boa relação consigo mesma.

 

Isso abre caminho para a invasão das coisas e situações do mundo no indivíduo. Perde-se o sistema de referência interno e a pessoa se sente obrigada a assumir as verdades do mundo como absolutas, reside aí o padrão anacrônico de comportamento e valores antiquados e obsoletos, por exemplo, a crença tão arraigada em papéis que devem desempenhar a mulher e o homem numa relação ou de que maneira uma família deve se constituir, como se só houvesse um único modo de estar no mundo.

O distanciamento faz com que a pessoa estabeleça para si metas baseadas em uma absurda auto-exigência. Deve sempre se superar, dar-se além de si mesma, ser excelente em tudo, adaptar-se a tudo, ser mais e melhor. Sempre. Não estamos falando das ações para superar obstáculos e que nos faz crescer, aprimorar. Falamos da falta de descanso ao final de cada jornada, de cada dia. Da incapacidade de perceber o merecimento de paz e alegria.

 

É um estado muito bem ilustrado pela música de Djavan, que diz: "sabe lá, o que é não ter e ter que ter para dar. Sabe lá". Dentro da pessoa que vive sob essa pressão não existe espaço para a flexibilidade, para o bom humor, a criatividade e o descanso, apenas para a elevada exigência de si e sujeição aos prazos e metas a serem cumpridas. Aliás, metas cujos objetivos já nem se lembra quais são.

 

A pessoa e seus diferentes Eus

 

Nós humanos somos seres complexos, trazemos dentro de nós a memória ancestral de toda a humanidade e também o anseio pelo novo. Possuímos um sistema interno de referência que nos guia sobre decisões a tomar, visando sempre o bem estar. Mas o modo de vida descorporificado, desenvolvido pelos processos de ausência e desconexão, dificulta, se não impede, que conheçamos as diferentes partes que compõem esse sistema de referências.

Dentro de cada um de nós coexistem e se revezam em nossas atitudes – quando interagimos com a família, parceiros amorosos, colegas no trabalho e até quando entabulamos uma conversa conosco mesmos, diversas possibilidades de estar no mundo.

 

Essas possibilidades compõem nosso ser. Todas as nossas partes, mesmo as que não apreciamos muito, são importantes. Por exemplo, podemos descobrir que possuímos um lado mais autoritário, capaz de cercear a liberdade alheia; também podemos fazer contato com uma parte de nós melhor negociadora, pacifista; podemos nos surpreender com nossa sensorialidade, nosso prazer com o sexo, ao saborear comidas e bebidas gostosas; podemos, encantados, descobrir em nós uma capacidade de acolhimento ao outro a qual não supúnhamos. Reciclar-se não é eliminar nossas peculiaridades, mas saber lidar com elas.

É preciso compreender que cada aspecto de nossa personalidade é importante em algum momento da vida, podemos ser mais cuidadores, noutra ocasião será preciso nos entregar aos cuidados de alguém; podemos tomar decisões importantes, mesmo em situações difíceis, porque uma de nossas partes é um bom administrador de crises; mas, eventualmente, podemos deixar que outros tomem decisões, pois somos capazes de aceitar e respeitar outro ponto de vista, ou porque precisamos descansar, ceder a vez.

A construção do sistema interno de referências precisa ser constante e dinâmica, é preciso haver flexibilidade perceptiva para ver as coisas sob novos aspectos. Se não for assim a pessoa fica eternamente justificando atitudes ou julgando os outros baseada a partir de em uma experiência passada, que insiste em manter-se inalterada, cristalizada. Perceberá experiências diferentes sob o mesmo padrão de entendimento, marcando todas suas experiências no aqui-agora com a marca do passado.

Mas, a flexibilização das couraças, a retomada da corporalidade e a reciclagem perceptiva não podem se dar de forma mecânica ou imposta de fora para dentro, e sim a partir da tomada de consciência sobre o que se pensa e sente sobre uma dada situação.

 

Nem tanto ao mar, nem tanto ao céu

 

Nesse processo de abrir espaço para o novo é interessante aprender a lidar com os próprios limites, diminuir a pressão e evitar a guerra interna, ou seja, um estado de ânimo em que as diferentes partes da personalidade são colocadas lutando entre si.

 

Se os aspectos constitutivos, ao mesmo tempo complementares e contraditórios, que compõem a identidade da pessoa estiverem fundidos, sem que ela saiba como funciona internamente, haverá uma enorme confusão, é preciso haver espaço interno para mudar de estado – isto é, permitir-se ficar triste quando experimentar momentos de tristeza, alegre quando a ocasião for de alegria etc., em outras palavras, vivenciar a experiência em si e não permanecer indefinidamente agindo sempre da mesma forma estereotipada quando a vida lhe pedir outras atitudes.

É preciso flexibilizar-se, um processo que não é outra coisa senão aprender a trilhar o caminho autoperceptivo de volta para si mesmo e assumir toda a responsabilidade por suas escolhas, cuidar de si – dentro do que sua estrutura permite, naquele momento de sua existência. Esse é o caminho que leva as pessoas a transitarem do pólo caráter neurótico para o pólo caráter genital e é disso que se trata quando falamos em cuidar e fazer amizade consigo mesmo.

Como sempre, falar parece mais fácil que executar e vivendo sob a pressão imposta pelo dia-a-dia, nem sempre conseguimos manter-nos próximos de nós o suficiente para reconhecer nosso estado atual, podemos estar tão distanciados que ansiamos por uma saída sem enxergar nenhuma, permanecemos enredados nos problemas. A desconexão e a ausência agem justamente aí, passamos a funcionar ligados no piloto-automático. A vida fica mecânica e insípida. O cansaço – físico, perceptivo e existencial – passa a ser companhia constante.

 

Sueli Nascimento

Analista reichiana. Consultora Associada da FLUIR Desenvolvimento Social e Humano.

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