Aprendendo a valorizar a água Ananindeua, Pará

o presente artigo mostra uma análise da importância da água. A escassez também é a principal causa da degradação da qualidade de vida para um bilhão de pessoas. Em Nairobi, no Quênia, algumas famílias vivem com o equivalente a um copo de água por dia, durante os meses de seca.

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Aprendendo a valorizar a água

Editoria: Vininha F. Carvalho29/8/2003

A água é combustível da vida

A origem da vida em nosso planeta surgiu na água .Ao longo de milhões de anos de evolução, os organismos vivos se diversificaram e se espalharam pela Terra , sendo que a sobrevivência de todas as espécies animais e vegetais continua ligada á água.

O ser humano durante a gestação se desenvolve dentro do ventre da mãe , envolto em água.Após o nascimento, abre os olhos para a existência chorando e os fecha pela morte, sob a unção das lágrimas.A lágrima é menor que uma gota d’água, mas se comporta como um meio de comunicação universal , sendo a mensageira da dor e da alegria.

A importância deste precioso líquido se manifesta de forma física , devido a dependência do nosso corpo , que é constituído de 75% de água e também pela espiritualidade.Na tradição cristã , ela esta ligada ao batismo, a purificação e a regeneração. A ablução com água é fundamental em todas as religiões do Islã ao Taíonismo.

Para Lao Tse , no livro Tao Te Ching, a água simboliza a suprema virtude.Para os hindus banhar-se ritualmente no rio Ganges, é uma experiência transcendente.

O “Rig Veda” dos hindus exalta a água como elemento que traz vida, força e pureza: “Vocês, água que reconfortam : tragam-me a força , a grandeza, a alegria e a visão”, diz um hino dos Vedas, pouco antes de definir a água como regente dos povos.Para o alcorão, a água benta que cai do céu é um dos símbolos divinos.Os jardins do paraíso islâmico tem riachos e fonte de água límpida.

A maior parte da superfície terrestre é coberta de água, mas um volume pouco maior que 2% é doce, e mais de 90% dela esta congelada nas regiões polares ou armazenada em depósitos subterrâneos muito profundos. As águas doces superficiais correspondem a sómente 0,001% deste potencial.Mais de 2/3 da água doce é usada na irrigação, sendo contaminada pelo agrotóxicos ou adubos.

Nas cidades, o esgoto das casas e industrias é quase todo jogado nos rios e no mar, sem tratamento.A água fica infectada , inclusive com germes que causam doenças transmissíveis, como a cólera. O garimpo polue os rios com mercúrio , um metal pesado que causa o mal de minamata.Outro problema é a poluição térmica .Ela ocorre quando uma fábrica ou usina, aquece água no processo industrial e despeja quente no rio ou no mar.O líquido quente afeta o metabolismo de plantas e animais, que podem morrer ou deixar de reproduzir.

O Brasil é a maior reserva hidrológica do mundo. Da água doce disponível no país : 70% estão na região norte, 15% na região centro-oeste, 6% no sudeste, 6% no sul e 3% no nordeste.Há pelo menos , em tese, 34 milhões de litro de água para cada brasileiro, embora 20% da população urbana não dispõe de rede de água e esgoto e 65% das internações pediátricas são causadas pela poluição da água.

A irrigação de um hectare no nordeste brasileiro consome 18 mil metros cúbicos de água por ano, em Israel fica em torno de 600 metros cúbicos.Enquanto um habitante do oásis no Saara usa cerca de 3 litros de água por dia. Um habitante do Rio de Janeiro gasta 450 , em Moscou 600 e Nova York , 1045.A quantidade média diária para satisfazer todos os usos de uma pessoa é de 40 litros no máximo..

O consumo mundial de água multiplicou por sete no século XX, mais do que o dobro da taxa de crescimento da população.Em alguns países da África e o Oriente Médio, a água já esta escassa e por isto há racionamento. O ex-presidente do Egito, Anuar Sadat (1918-1981) considerou o papel estratégico da água, a denominando como o ouro azul no Oriente Médio, onde um copo d’água vale mais do que um barril de petróleo. Fica claro, portanto, que neste canto do mundo, para não citar outros, a água pode vir a matar, por razões óbvias, não somente a sede.

A escassez também é a principal causa da degradação da qualidade de vida para um bilhão de pessoas, sem acesso à quantidade diária ideal estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU). No continente africano, cerca de 62% da população só tem acesso a algo em torno dos 4 m3/habitante/dia, sendo que, em algumas regiões, o índice é inferior a 3 m3/habitante/dia. Em média, o continente com maior disponibilidade de água é a Oceania, seguido da América do Sul, América do Norte, África, Europa e Ásia.

Em Nairobi, no Quênia, algumas famílias vivem com o equivalente a um copo de água por dia, durante os meses de seca. E o preço da água mineral, nos supermercados, é superior ao dos derivados de petróleo. O desafio urbano da água está assumindo proporções inomináveis,em especial, em vastas áreas da África. A taxa de urbanização da África é de 5%, em média, a mais rápida do mundo. Dos 138 milhões de pessoas que viviam em cidades africanas, em 1990, espera-se passar para 500 milhões, até 2020. A extrema escassez no abastecimento de água vivida por 8 países sub-saharianos, em 1990, pode então alcançar 20 países, de um total de 29 países desta região.

Como no Brasil, o maior desafio na África é a redução do desperdício.Evaporação nos grandes reservatórios, vazamentos nos sistemas de captação e distribuição, ligações clandestinas, uso irracional são os maiores inimigos dos programas de educação ambiental. Mesmo nos programas internacionais, com o "Água para Cidades Africanas", os progressos são lentos e localizados. Ainda assim, a cidade de Lusaka, na Zâmbia, conseguiu reduzir as perdas de 80 para 45%, no sistema de distribuição. Dacar melhorou o manejo dos recursos hídricos e criou um sistema preventivo contra a poluição no Lago de Guiers, seu principal reservatório.

E em Accra, um plano feito pela comunidade local está reduzindo a poluição no rio Densu. Outro grave problema é o aumento nos níveis de água dos oceanos, supondo uma grave ameaça para as pequenas nações insulares, os países que se encontram a baixa altitude, como Bangladesh e Holanda, e grandes cidades como Nova York, Tóquio, Buenos Aires e Lagos, na Nigéria. Os cientistas calculam que os níveis dos oceanos subirão 48 centímetros entre 1990 e 2100.

“ A falta de acesso à água - para beber, para a higiene e para a segurança alimentar - causa enormes dificuldades a mais de um bilhão de membros da família humana" disse o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan no evento de lançamento do Ano Internacional para Água Potável - 2003, em dezembro de 2002.

O objetivo deste Ano é chamar a atenção da comunidade internacional para os problemas - inclusive de sobrevivência da espécie - que o mundo enfrenta em decorrência da perspectiva da falta deste recurso precioso e finito, a água. "É provável que a água se torne cada vez mais uma fonte de tensão e de uma feroz competição entre as nações, se a atual tendência se mantiver; contudo, ela pode ser também um catalizador da cooperação.
O Ano Internacional de Água Potável pode desempenhar um papel essencial no que se refere a gerar a ação necessária, tanto da parte dos governos como da sociedade civil, das comunidades, do setor empresarial e dos próprios indivíduos para este fim", declarou Kofi Annan.

Em setembro de 2000, na Cúpula do Milênio das Nações Unidas foi acordado, pelos líderes mundiais, reduzir pela metade até 2015, a percentagem de pessoas que não tem acesso à água e na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, foi aprovada a meta correspondente para as pessoas sem acesso a serviços de saneamento básico que hoje somam cerca de 2 bilhões e meio. Destes, três milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças ligadas à insalubridade.

Um fato inédito marcou o Dia Mundial da Água neste ano .Pela primeira vez, 23 agências e secretarias de convenções das Nações Unidas uniram esforços e especialidades para produzir o World Water Development Report. Com quase 600 páginas, diversos mapas mundiais, gráficos e estatísticas nacionais, o relatório é o mais abrangente e atualizado documento sobre o estado dos recursos de água doce do mundo.Coordenado pelo Programa Mundial de Avaliação da Água (World Water Assessment Programme - WWAP), o relatório foi apresentado à imprensa no dia 5 de março em Tóquio e foi lançado oficialmente por ocasião do Dia Mundial da Água, 22 de março, durante o III Fórum Mundial da Água que aconteceu no Annex Hall, Kyoto International Conference Hall. O relatório é um dos principais resultados do Ano Internacional da Água Doce.

Devemos nos conscientizar, que as águas não vão acabar no planeta , e nem mesmo estão diminuindo em seu volume de moléculas de H2O, porque este ciclo é fechado e estável.A falta de cuidados adequados na captação de chuvas e, conseqüentemente a poluição dos rios e dos lagos, é que acabará reduzindo o volume de águas doces superficiais, exigindo soluções de alto custo, como a busca de águas subterrâneas profundas ou a dessanilização de águas oceânicas.

Procure lembrar de todo o significado cultural , simbólico e sócio-economico da água na próxima vez em que você for saciar sua sede.O copo de água que você segura nas mãos hoje, contém mais de 10 milhões de moléculas que estiveram em contato com os nossos ancestrais. Precisamos revitalizar a água, pois ela representa um elo com o passado e um compromisso com o futuro das próximas gerações.

Fonte: Vininha F.Carvalho
Fonte E-Mail: vininha@vininha.com

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