Aspectos Cognitivos E Comportamentais Do Alcoolismo Brasília, DF

O álcool é a droga mais consumida no mundo, tornando-se um problema social muito sério. No conjunto de doenças resultantes do consumo abusivo de substâncias psicoativas graves, o alcoolismo, que é uma doença crônica, provoca uma modificação profunda na personalidade do indivíduo que é usuário. Leia mais no artigo abaixo.

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Aspectos Cognitivos E Comportamentais Do Alcoolismo

Núccia Rogéria Gaigher Magalhães[1]

O álcool como uma droga depressora, age diretamente no SNC (Sistema Nervoso Central), provocando alterações neuropsicológicas além de grande sofrimento ao usuário e todos os envolvidos neste contexto. O alcoolismo é uma doença que ainda não tem cura, portanto, o tratamento que vai, da triagem/anamnese, uso de medicamentos até participação em grupo terapêutico para aconselhamento, deve ser continuado para que não ocorra o retorno ao vício. A partir da análise do conteúdo, observou-se a seriedade do problema que, unido a causas multifatoriais, promovem o agravamento da saúde biopsicossocial do indivíduo.

1. INTRODUÇÃO

O presente relatório constitui documento formal da Disciplina Estágio III: Pesquisa, cujo objetivo é o contato com a prática da psicologia clínica, tendo como foco a observação. A linha de pesquisa tem em princípio, o foco nos Processos Psicológicos Básicos, tendo como instrumento de pesquisa as publicações impressas e eletrônicas.

A OMS – Organização Mundial da Saúde define o alcoolismo como uma grave doença crônica que engloba sintomas que vão da compulsão, perda de controle motor, dependência física e tolerância.

É essencial conhecer os efeitos do álcool para entender a importância clínica dos transtornos relacionados a ele, uma vez que a intoxicação pode causar irritação, comportamento violento, sentimento depressivo e algumas vezes delírios e alucinações (SADOCK & SADOCK, 2007).

O álcool consumido provoca efeitos psicoativos ao ser absorvido e metabolizado pelo organismo. O uso prolongado, excessivo, indevido e abusivo do álcool provoca uma série de problemas clínicos e complicações psicopatológicas.

O alcoólatra representa culturalmente o estereótipo do “bêbado” ou “viciado” um indivíduo com características questionáveis que produz uma estranheza social devido ao seu desprezo com a própria situação. Age como alguém que rompeu as amarras da concordância sociocultural, o alcoólatra anestesia a consciência menosprezando a responsabilidade para consigo e os outros envolvidos neste contexto.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Terminologia

A origem etimológica da palavra droga ainda apresenta versões incertas. Talvez tenha origem no holandês antigo “droog”, que significa folha seca (antigamente quase todos os medicamentos eram feitos a base de vegetais). Mas a palavra droga tal como conhecemos hoje, vem do francês antigo “drogue”, que significava tintura, substância química ou farmacêutica, ingrediente, remédio, ou seja, qualquer substância capaz de alterar o funcionamento orgânico gerando mudanças fisiológicas e comportamentais, conforme apontam estudos divulgados pelo NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define droga como qualquer substância que ao ser introduzida no organismo vivo altera uma ou mais de suas funções. Na atualidade, o termo adquire nova conotação com sentido pejorativo, assim como o adicto, que passa a ser vulgarmente conhecido como “viciado”; ao sofrer banalização popular, o termo se torna um rótulo largamente usado para definir padrões questionáveis de determinados comportamentos.

2.2 Aspectos Gerais

2.2.1 Abuso e dependência das substâncias

Segundo Sadock & Sadock (2007, 412 p.), independentemente de a sociedade considerar o uso de substâncias um problema moral ou legal, quando este cria dificuldades para o usuário, torna-se algo preocupante para os profissionais da sociedade. O abuso no consumo indevido destas substâncias compromete a capacidade funcional, mental e social do indivíduo, levando-o a desenvolver uma série de transtornos que foram organizados por categoria no DSM-IV-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed. texto revisado) de acordo com a relação entre substância consumida e diagnóstico.

O DSM-IV-TR define abuso de substâncias a partir da presença de pelo menos um sintoma específico, indicando que o uso da substância interfere na vida da pessoa (Tab. 1), além de permitir que os clínicos possam especificar a dependência fisiológica pela manifestação de alguns critérios estabelecidos (Tab. 2).

Tabela 1 Critérios para abuso de substâncias segundo o DSM-IV-TR

A. Um padrão mal-adaptativo de uso de substância levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por um (ou mais) dos seguintes aspectos, ocorrendo dentro de um período de 12 meses:

(1) uso recorrente da substância resultando em um fracasso em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa (por ex., repetidas ausências ou fraco desempenho ocupacional relacionados ao uso de substância; ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas a substância; negligência dos filhos ou dos afazeres domésticos)

(2) uso recorrente da substância em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., dirigir um veículo ou operar uma máquina quando prejudicado pelo uso da substância)

(3) problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira relacionada a substância)

(4) uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou exacerbados pelos efeitos da substância (por ex., discussões com o cônjuge acerca das conseqüências da intoxicação, lutas corporais)

B. Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para Dependência de Substância para esta classe de substância.

Fonte: Sadock & Sadock (2007, 414 p.)

A verdade é que a droga tornou-se um grave problema mundial que torna possível reconhecer grupos antagônicos numa mesma sociedade: de um lado, o grupo que investe em pesquisas para que o resultado da produção de substâncias lícitas ou não seja o mais satisfatório, e de outro lado, o grupo que prestigia este investimento consumindo de forma abusiva, colocando em risco a própria vida em nome de um prazer fugaz. Em meio a isso tudo, resta a triste estatística revelando um perfil de usuário cada vez mais jovem, cada vez mais frustrado, depressivo e alienado. A aproximação deste abismo geralmente é movida por causas multifatoriais que vão desde a curiosidade, pressão social, até a predisposição genética, além de outros fatores como sexo, nível socioeconômico e descontentamento em geral.

Tabela 2 Critérios diagnósticos do DSM-IV-TR para dependência de substância

Um padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:

(1) tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:

(a) uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado

(b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância

(2) abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

(a) síndrome de abstinência característica para a substância (consultar os Critérios A e B dos conjuntos de critérios para Abstinência das substâncias específicas)

(b) a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência

(3) a substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido

(4) existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância

(5) muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos

(6) importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância

(7) o uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas, embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool)

Especificar se:
Com Dependência Fisiológica: evidências de tolerância ou abstinência (isto é, presença de Item 1 ou 2).
Sem Dependência Fisiológica: não existem evidências de tolerância ou abstinência (isto é, nem Item 1 nem tem 2 estão presentes).

Fonte: Sadock & Sadock (2007, 414 p.)

2.3 ÁLCOOL

2.3.1 Álcool: a droga legalizada

Geralmente ao se falar em substância psicoativa, pensa-se imediatamente em drogas ilícitas como crack, maconha, cocaína e ecstasy, dentre tantas outras conhecidas, e pouco referência é feita ao álcool; e pelo fato de ser associado o uso de bebidas alcoólicas a situações comemorativas como celebrações religiosas, sociais e de negócios, que para algumas pessoas isso é fato tão comum que já se tornou.

Considerado hábito comum e até aceitável, o álcool é uma das drogas mais consumidas no mundo. Segundo dados de 2004 da OMS, apresentados no I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas, o que explica a diminuição da saúde mundial e o aumento no número de mortes por uso abusivo do álcool. Se por um lado o uso do álcool faz parte da cultura do povo e está presente em praticamente todas as comemorações populares, por outro lado são cerca de 3% de todas as mortes que ocorrem no planeta (SENAD, 2004), um número que impressiona, assusta e impõe uma reflexão sobre cultura, tradicionalismo e saúde biopsicossocial.

A mídia ajuda ainda a agravar o problema com a divulgação em massa me propagandas elaboradas que exibem o produto de uma forma bem trabalhada, associando seu consumo a uma personalidade jovial, ousada e atualizada, sugerindo a ilusão de uma vida glamorosa, cheia de sensualismo. Isso tudo mostra a aceitação social das bebidas alcoólicas; aceitação de consumo e abuso, como se a sociedade normalizasse essa ação, embora atualmente o CONAR – Conselho de auto-regulamentação publicitária imponha sérias restrições quanto a publicidade de bebidas alcoólicas, recomendando normas éticas que regulem sua divulgação nos meios de comunicação.

2.3.2 Etiologia e Generalidades do Álcool

Conforme estudos apresentados pelo CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, a palavra álcool deriva do arábico al-kuhul, que se refere a um fino pó de antimônio, produzido pela destilação do antimônio, e usado como maquiagem para os olhos. Os alquimistas medievais ampliaram o uso do termo para referir-se a todos os produtos da destilaçãoe isto levou ao atual significado da palavra.

O álcool é um tipo de líquido incolor, inflamável, volátil, com efeito intoxicante ao ser consumido em maiores quantidades, produzido a partir da fermentação de cereais, raízes e frutos. Seu nome químico é etanol, e ao ser associado a outros elementos químicos adquire características que dão à bebida cor, sabor e odor. Produz ainda sensações de euforia, bem-estar, sedação ou alacridade, intoxicação, inconsciência de acordo com a quantidade ingerida (MURAD, 1993, 5 p.).

2.3.3 Aspectos históricos

A relação do homem com o álcool é tão antiga quanto a própria história do homem. A princípio a bebida era fermentada e por isso, com baixo teor alcoólico. Com o avanço da tecnologia de fermentação e o desenvolvimento do processo de destilação, surgiram bebidas mais fortes.

Na Idade Média a comercialização cresceu intensamente e na Idade Moderna, com a Revolução Industrial, o mercado dos destilados expandiu um tanto mais, aumentando consideravelmente o consumo e a partir deste período, o uso excessivo da bebida passa a ser visto como doença e é neste contexto que surgem as primeiras leis proibitivas em vários países do mundo.

Nos anos 20 iniciou nos Estados Unidos a proibição oficial do período em que se tornou ilegal a fabricação, venda, troca, importação, transporte, exportação, distribuição, posse e consumo de bebida alcoólica conhecida como Lei Seca. Esta proibição teve duração de quase 12 anos, marcando a história do povo americano pelo alto índice de mortes por assassinato e cirrose.

No Brasil ainda não há proibição, mas restrição no consumo de bebidas alcoólicas principalmente em período de eleição.

Em 19 de junho de 2008, o senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona a Lei 11.705 que proíbe o uso destas bebidas nas estradas.

2.3.4 Efeitos do Álcool

Inúmeros são os efeitos provocados pelo uso contínuo do álcool: câncer, cirrose hepática, hepatite alcoólica, AVC (acidente vascular cerebral), desenvolvimento de patologias cardíacas, infertilidade masculina, inflamação do esôfago e estômago dentre algumas outras patologias.

Segundo Umphred (2004, 776 p.), o álcool como droga, tem um efeito direto no sistema nervoso. A ingestão excessiva de álcool induz distúrbios neurológicos, atacando o cerebelo. Dentre outros efeitos crônicos do álcool inclui-se a deficiência de vitamina e nutricional geral.

Farmacologicamente, o álcool é classificado como inibidor e depressor do SNC – Sistema Nervoso Central (MURAD, 1993, 8 p.), diminuindo os impulsos nervosos e promovendo uma série de sinais e sintomas que vão desde processos reversíveis até a morte.

2.3.4.1 Intoxicação Alcoólica Aguda

Conforme relata Umphred, no caso de intoxicação alcoólica aguda, o álcool inicialmente produz relaxamento e perda de inibições, seguido pela perda do julgamento e da coordenação. Quando prossegue o consumo, o indivíduo alcança o estágio de torpor, desmaiando e permanecer neste estado até o dia seguinte e ao acordar os sintomas percebidos, conhecidos como “ressaca” são: sede intensa e enjôos. Nesses casos os sinais neurológicos ainda são reversíveis, mas a ingestão continuada e excessiva leva o indivíduo ao estágio de coma e até morte. A intoxicação aguda é identificada com o recurso da alcoolemia, que medirá o nível de etanol no organismo através de exame sanguíneo ou a coleta de ar através de bafômetros.

2.3.4.2 Intoxicação Alcoólica Crônica

O diagnóstico de alcoolismo crônico é um pouco mais complexo que o alcoolismo agudo pois torna-se necessário a realização de uma anamnese, exame físico e também uma análise psicológica para identificar se o indivíduo apresenta perfil de alcoólatra e se não está mentindo ou omitindo alguma informação que auxilie no diagnóstico final.

Umphred (2004, 776 p.) coloca que o indivíduo que sofre de alcoolismo crônico pode ter deficiência neurológica e psicológica. Os sintomas neurológicos incluem ataxia (falta de coordenação nos movimentos voluntários), falta de coordenação e neuropatia periférica (uma perda sensorial) além de possíveis convulsões. Os sintomas psicológicos são mais conhecidos. Incluem delirium tremens (DTs), demência e a Síndrome de Wernicke-Korsakoff (uma certa deficiência nutricional e desordem mental).

2.4. SINAIS E SINTOMAS DA DEPENDÊNCIA

Além da dependência física pode ocorrer a dependência psicológica, quando há um forte desejo para se consumir a substância mesmo que em pequenas quantidades. A seguir veremos as fases evolutivas da doença que são: a adaptação, tolerância e a síndrome de abstinência.

2.4.1 Adaptação

É o período inicial quando ocorre o primeiro contato com a droga, que nesta fase é conhecida como uma muleta psicológica por facilitar o contato social devido à inibição de algumas células nervosas. O álcool funciona aqui como um aliviador de tensão, livrando o consumidor a atenuar as angústias da vida.

2.4.2 Tolerância

A resistência aos efeitos colaterais do álcool está diretamente associada ao desenvolvimento da tolerância ao alcoolismo. A tolerância é sinal de que o cérebro já se adaptou à presença da droga no organismo, então ocorre uma necessidade de doses cada vez em maior quantidade para se obter os efeitos anteriores.

2.4.3 Síndrome de Abstinência

Neste estágio da doença (o alcoolismo), a dependência física é visível e a substância psicoativa, no caso o álcool, é considerado pelo dependente como um remédio que atenua todo sofrimento conseqüente da crise de abstinência. Ocorre degeneração biopsicossocial de forma explícita e o dependente torna-se capaz de ingerir qualquer produto que contenha etanol.

A saúde fica cada vez mais delicada devido a complicações decorrentes deste processo.

2.5. ALTERAÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS

Os autores CUNHA e NOVAES (2004 23-27p) apontam como alterações neuropsicológicos freqüentes em dependentes alcoólicos: problemas de memória, aprendizagem, abstração, função executiva (iniciar ações, planejar e resolver problemas).

As avaliações neuropsicológicas são necessárias para avaliar, identificar e tratar de qualquer função cognitiva que se apresente alterada. De acordo com estudos de PINEL e COLODETE (2007), o exame neuropsicológico dará um perfil de todas as funções mentais, comprometidas ou não, para então desenvolver e aplicar recursos objetivando melhorar a capacidade de pacientes cérebro-lesado em processar e usar informação de modo a ter uma vida mais autônoma e satisfatória através da reabilitação cognitiva.

2.5.1 Sistema límbico

Segundo Guyton & Hall (2005), o sistema límbico é formado por: hipotálamo, hipocampo, amígdalas, tálamo, giro cingulado, giro subcaloso e área órbito-frontal e é responsável pelo controle emocional do comportamento; todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também é importante para a memória e o aprendizado. Portanto, o uso abusivo do álcool altera as funções do sistema e apresentar comportamentos emocionais excessivos como raiva, agressividade, isolamento e perda de memória.

2.5.2 Emoção

Segundo Borine apud Volchan (2003), emoção pode ser considerada funcionalmente como uma disposição à ação que prepara o organismo para comportamentos relacionados à aproximação e esquiva, elas são experiências referente a reações neurovegetativas em resposta a um estimulo agradável ou desagradável.

“Emoção, numa definição mais geral, é um impulso neural que move um organismo para a ação. A emoção se diferencia do sentimento, porque, conforme observado, é um estado neuropsicofisiológico (Freitas-Magalhães, 2007).”

O álcool produz efeito sedativo e inicialmente o indivíduo sente aumento de relaxamento e desinibição a medida que diminui a sensação de medo e punição.Os efeitos observados em indivíduos que abusam do álcool contribuem para surgimento de conflitos conjugais, até com presença de violência física, além de prejudicar também a vida profissional com faltas ou baixo desempenho, favorecendo possibilidade de demissão.

O consumo exagerado do álcool produz os seguintes efeitos emocionais e comportamentais no indivíduo:

  • Alteração do humor, ocasionando raiva, comportamento violento, depressão e até mesmo suicídio.
  • Diminuição da produtividade no trabalho.
  • Perda da inibição, sendo que pessoa intoxicada com álcool pode fazer coisas que normalmente não faria, como por exemplo, dirigir um carro em alta velocidade.
  • Pode resultar em perda de memória.
  • Prejuízo na vida familiar do alcoolista, ocasionando desentendimento entre o casal, e problemas emocionais a longo prazo nas crianças.

Apesar de tudo isso existe tratamentos adequados a cada tipo de usuário que podem corroborar com a modificação comportamental e fisiológica.

2.5.3 Tratamento

Como em qualquer caso de dependência química, o alcoolismo é uma doença que não tem cura, o que existe é um tratamento para controle e manutenção.

Geralmente ocorre uma negação da doença por parte do dependente, então é necessário que a família interaja, ajudando o paciente a reconhecer o problema e buscar ajuda especializada.

É indispensável uma avaliação clínica para se estabelecer o tipo de tratamento mais adequado. O diagnóstico médico é imprescindível para que um roteiro de tratamento seja traçado.

O tratamento se dá em dois processos, a saber: Desintoxicação e Reabilitação. A desintoxicação se inicia com a internação, pois é preciso ministrar medicamentos para evitar recaídas.

Existem grupos de auto-ajuda que realizam trabalhos de aconselhamento, como os Alcoólatras Anônimos (AA) com seus 12 passos e vários outros tipos de terapias e programas de reabilitação que objetivam melhorar o autocontrole e evitar o consumo, permitindo a reinserção social. A eficácia do tratamento depende ainda de alguns fatores:

  • Fatores psicológicos;
  • Fatores sociais;
  • Gravidade do problema;

O comprometimento do indivíduo em tratamento é sem dúvida o fator primordial que garantirá seu sucesso durante este processo.

3.  CONCLUSÃO

O álcool é uma droga depressora do sistema nervoso central (SNC), ou seja, é uma droga que diminui a atividade do cérebro, debilitando seu funcionamento, fazendo com que o indivíduo se sinta “desligado” ou desinteressado pelas coisas.

O uso abusivo do álcool, droga legalizada mais consumida no mundo, tornou-se um grave problema de âmbito social. O uso contínuo provoca a doença conhecida como “alcoolismo”, uma doença que não tem cura, apenas um tratamento para controle e manutenção. Geralmente ocorre uma negação da doença por parte do dependente, então é necessário que a família interaja, ajudando o paciente a reconhecer o problema e buscar ajuda especializada. É indispensável uma avaliação clínica e neuropsicológica para se estabelecer o tipo de tratamento mais adequado. O diagnóstico médico é imprescindível para que um roteiro de tratamento seja traçado.

O álcool causa problemas biopsicossociais, pois afeta a química do cérebro alterando os níveis de neurotransmissores e provocando alterações neuropsicológicas como lapsos de memória, dificuldade na aprendizagem, linguagem, desenvolvendo complexos quadros comportamentais como desinibição, agressividade e até comportamento suicida.

O tratamento para o dependente do álcool, assim como outras drogas psicoativas, depende da análise da gravidade do problema, de fatores sociais e culturais, mas principalmente, depende da vontade do indivíduo em querer tratar-se.

4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1- CEBRID. Livreto Informativo sobre Drogas Psicotrópicas. São Paulo, CEBRID/EPM, s. d. 7 p.

2- Cunha P. J. , Novaes MA. Avaliação neurocognitiva no abuso e dependência do álcool: implicações para o tratamento. Rev. Bras Psiquiatr 26 (supl. 1): 23-27, 2004.

3- GERRIG, Richard J; ZIMBARDO, Philip G. A psicologia e a vida. Tradução Roberto Cataldo Costa. 16 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

4- Laranjeira, R; Nicastri, S; Jerônimo, C; Marques, A C; et al. Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool (SAA) e o seu tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2000, p.1

5- MURAD, José E. Alcoolismo Doença ou distúrbio de comportamento? Publicação Educativa ABRAÇO. Belo Horizonte: Editora O Lutador, 1993.

6- PAPALIA, Diane E; OLDS, Sally W. ; FELDMAN, Ruth D.. Desenvolvimento humano. Tradução Daniel Bueno. 8 ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

7- SADOCK, Benjamin J.; SADOCK, Virginia A. Compêndio de Psiquiatria: ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Tradução de Cláudia Oliveira Dornelles et al. 9.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

8- SENAD. Secretaria Nacional Antidrogas. I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira. Brasília, 2007.

4.1. REFERÊNCIA ELETRÔNICA

1- Alcoolismo (todo). Disponível em: < http://www.psicosite.com.br/tra/drg/alcoolismo.htm> Acesso em 12/11/2008.

2- ANDERSEN Roberto. Neurologia. Quais as alterações neurológicas e nutricionais do alcoolismo? Disponível em: <http://www.iupe.org.br/ass/psicanalise/psi-neurologia.htm> Acesso em 11/11/2008.

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[1] Graduanda no curso de Psicologia pela Faculdade Pitágoras Ipatinga – MG/2008

NÚCCIA GAIGHER MAGALHÃES

Acadêmica em Psicologia com ênfase em Clínica Hospitalar pela Faculdade Pitágoras - MG. Administradora da página virtual: Psicologando ( http://www.psicologandonanet.blogspot.com). contato: nucciagaigher@yahoo.com.br .

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