A cana-de-açúcar é uma planta que possui uma grande concentração de açúcar e conseqüentemente de energia, usada normalmente como matéria-prima de açúcar e álcool, sendo que o etanol (outro nome dado ao álcool, principalmente ao álcool utilizado como combustível) está ganhando cada vez mais espaço e mercado, no Brasil e no mundo. Apesar de nem sempre o aproveitamento energético da cana ser explorado ao máximo, algumas usinas brasileiras já descobriram que o potencial dessa planta se estende muito além do que a produção costumeira de etanol.
Essas usinas abandonaram o nome de "Usina de Álcool" para assumir uma nova postura diante do mercado, a de "Usinas de Energia", pois com o uso correto dos resíduos, é possível se produzir uma quantidade diversificada de energias e combustíveis na mesma usina, gerando uma série de benefícios antes não aproveitados. Utilizando-se de processos diversos é possível aproveitar ao máximo os resíduos da produção de etanol e aumentar tanto a sua produção, quanto os lucros que a mesma pode vir a dar.
Os resíduos mais expressivos na produção de etanol são o bagaço, que é a forma esmagada e já utilizada da cana; a palha, que basicamente se trata das folhas da própria planta; e a vinhaça, um resíduo pastoso e malcheiroso que sobra após a destilação fracionada do caldo da cana, para a produção de etanol. Todos esses resíduos podem vir a serem aproveitados para produção de mais etanol, termoeletricidade e até biogás.
O bagaço pode ser usado em dois processos, a hidrólise para a produção de etanol celulose ou a queima em uma caldeira para a produção de termoeletricidade. O primeiro processo apontado consiste basicamente em levar o bagaço da cana a sofrer uma série de novos processos químicos, que fazem com que o bagaço produza mais etanol e com isso aumente consideravelmente sua produção. No segundo caso, o bagaço é queimado diretamente em uma caldeira e a energia térmica produzida é usada para se produzir eletricidade através de um gerador.
Assim como o bagaço, a palha da cana é utilizada no segundo processo citado anteriormente, na queima em uma caldeira termoelétrica. Estudos apontam que se toda a palha for utilizada nesse processo, a quantidade de energia elétrica produzida sempre será suficiente para alimentar a usina e ainda poderá ser vendida para as concessionárias de energia da região, causando uma baixa nos custos da produção do etanol e até gerando outros lucros para a própria usina.
Já no caso da vinhaça, ou vinhoto como às vezes é chamado, o seu uso em termos energéticos é dado basicamente para a produção de biogás através de processos químicos. Esse biogás pode chegar a ter diversas utilidades, podendo ser encanado e distribuído através de gasodutos, fazendo o envasamento e vendendo os botijões, ou até como combustível de caldeira para a produção de termoeletricidade.
Atualmente já existem pesquisas na área que estudam a possibilidade uma mudança no processo de produção do etanol, gerando biodiesel e querosene de aviação em seu lugar. Caso esses estudos se confirmem economicamente viáveis se tornam ainda maiores as utilidades da cana como produtora de combustíveis e energias renováveis.
Diante de todos esses pontos apontados anteriormente, é possível se afirmar que a cana é uma das matérias primas renováveis que possuem o mais potencial energético no mundo, se não for realmente considerada como a maior. Por isso o aumento de estudos nessa área e na produção dessa matéria prima não é só necessário, como economicamente viável e inevitável.
Referencias Bibliográficas:
• Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
Disponível em: , visitado em 10 de novembro de 2008.
• União da Industria de Cana-de-açúcar - ÚNICA.
Disponível em: , visitado em 2 de novembro de 2008.
• O portal de noticias da Globo - G1.
Disponível em: , visitado em 2 de novembro de 2008.
Sobre o Autor
Cursando atualmente Engenharia Bioenergética, na Universidade FUMEC, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
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