Conhecendo a pastagem ecológica Rio Branco, Acre

A Pecuária brasileira é uma das mais desenvolvidas do planeta. Recentemente o país galgou o primeiro lugar na exportação de carne bovina e caminha rapidamente para a liderança também na exportação de leite. Leia mais no artigo abaixo.

J. Felix Ferreira
(68) 3026-1037
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Rio Branco, Acre

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D Lago
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Elcimar F. Ferreira
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Conhecendo a pastagem ecológica

A Pecuária brasileira é uma das mais desenvolvidas do planeta. Recentemente o país galgou o primeiro lugar na exportação de carne bovina e caminha rapidamente para a liderança também na exportação de leite. O Brasil, pela sua privilegiada situação e extensão geográfica, com a maior parte de seu imenso território possuindo um clima tropical, pode ancorar sua produção pecuária principalmente no manejo a campo. Isto permite ao país uma grande capacidade de produção a um custo que não pode ser igualado por nenhum outro país, incluindo os Estados Unidos e os países europeus.

Porém, existe uma área da pecuária brasileira que, simultaneamente sofre de grave deficiência e, ao mesmo tempo, é a que pode possibilitar um tremendo incremento na produção e na produtividade, se conduzida da forma mais adequada. Esta área é exatamente a área que mais pode responder positivamente às nossas excepcionais condições ambientais: o sistema de manejo a campo predominante.

Pastoreio Contínuo: a principal causa da baixa produtividade e da degradação das pastagens.

No Brasil a maior parte dos estabelecimentos pecuários usa ainda o chamado "pastoreio contínuo". Este sistema é o principal fator que contribui para a baixa produtividade (baixa capacidade de lotação) e a degradação das pastagens.

Entende-se por pastoreio contínuo, o sistema onde o gado fica sobre uma mesma área de pastagem um período prolongado de tempo, de alguns dias a casos em que o gado fica permanentemente no mesmo pasto.

O gado, mantido indefinidamente sobre a mesma área, após alguns dias de permanência, passa a consumir o capim antes que ele complete o seu desenvolvimento, não permitindo que as plantas refaçam periodicamente suas reservas, exaure a pastagem, diminuindo progressivamente a sua produtividade e vigor, com reflexos também na cobertura do solo, que ficando desprotegido, fica mais suscetível aos efeitos da erosão. Neste sistema, em alguns anos a pastagem se degrada, necessitando que se promova uma reforma para que ela recupere sua capacidade produtiva.

Concluindo: não se pode pensar em pastagens sustentáveis, se o sistema de manejo utilizado é o pastoreio contínuo.
Estima-se que de aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens cultivadas do país, cerca da metade ou 50 milhões de hectares, já estejam seriamente afetadas pela degradação.
Este manejo extensivo, ainda predominante na grande maioria das propriedades brasileiras, obriga os produtores a reformarem suas pastagens periodicamente. Estima-se (SÓRIO, 2000), que nos últimos 25 anos, só os pecuaristas do Centro Oeste Brasileiro tenham reformado cerca de 50 milhões de hectares de pastagens, a um custo aproximado de US$ 10 milhões no período. Talvez seja este o motivo mais forte para a baixa rentabilidade de pecuária bovina extensiva em nosso país.

A situação é semelhante também na Região Amazônia: com a redução da produtividade das pastagens pela degradação, aumentam a demanda por novas áreas de pastagens e, conseqüentemente a pressão por ampliação da área utilizada, o que significa novos desmatamentos da floresta.

No modelo predatório que predomina atualmente, a floresta é suprimida para o estabelecimento de pastagens, que mal manejadas, diminuem rapidamente sua capacidade produtiva, impelindo os empreendedores a novas investidas sobre a floresta para a manutenção e/ou ampliação da atividade pecuária, num trágico ciclo que elimina grandes áreas da floresta amazônica todos os anos.

Publicação da FAO-ONU recomenda o Manejo Sustentável de Pastagens para a Amazônia:

Transcrição das partes principais da notícia:

- A notícia identifica o problema do desmatamento:

" A Agência de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), liberou hoje um mapa mostrando a severa destruição das florestas tropicais da América Latina que, conforme sua previsão, será causada pelas grandes fazendas de gado e outros usos agrícolas em torno do ano de 2010.

Na primeira projeção detalhada já feita destas mudanças, a Organização sobre Alimentação e Agricultura da ONU estima que, até 2010, a cobertura florestal na América Central será reduzida em 2,4 milhões de hectares ou 1,6 % ao ano. Na América do Sul, a área florestal será diminuída em 36 milhões de hectares ou 0,5 % ao ano."

- Indica as motivações para o desmatamento:

"A crescente demanda por proteína animal é uma das principais forças por trás da expansão da produção extensiva de gado, a agência diz:
´Desmatamento induzido por grandes fazendas é uma das principais causas de perda de algumas espécies únicas de plantas e animais nas florestas tropicais da América Central e do Sul assim como de liberação de carbono na atmosfera.´, disse Henning Steinfeld, dirigente setorial da FAO."

- Alerta para a necessidade de se encontrar alternativas sustentáveis:

"Alternativas para a extensiva produção de gado na América Latina precisam ser encontradas urgentemente", disse o Sr. Steinfeld. "A previsão da localização das mudanças no uso da terra nos trópicos pode ajudar os que têm de tomar decisões a melhor compreender o impacto de diferentes cenários de uso da terra e desenvolver políticas que apóiem a conservação", ele disse."

- Recomenda como alternativa, práticas agrícolas mais sustentáveis e produtivas:

"Reconhecendo a necessidade dos países em aumentar o desenvolvimento econômico e o abastecimento de comida, a agência recomenda que os países adotem práticas agrícolas que melhorem a sustentabilidade ao mesmo tempo em que aumentem a produtividade. Sistemas de produção que promovam melhoras de pastos, bancos de forragem e plantio de árvores oferecem benefícios tanto sócio econômicos quanto ambientais, assim como constroem reservas de carbono estáveis."

A matéria citada acima é emblemática: num mesmo texto, a FAO faz o anúncio de um problema sério na Amazônia, analisa as motivações e indica uma linha mestra para as alternativas.

Afortunadamente já vem sendo usada na Amazônia mato-grossense, uma alternativa à pecuária extensiva, predatória e pouco produtiva, que atende de forma extremamente adequada, às recomendações do estudo da FAO: o Manejo Sustentável de Pastagens, com uso da tecnologia da Pastagem Ecológica.

Pastagem Ecológica: o caminho racional para a Pecuária Sustentável.

A Pastagem Ecológica é uma adaptação do Sistema de Pastoreio Racional Voisin (Ver bibliografia: VOISIN, 1974; VOISIN, 1979; ROMERO, 1994; ROMERO, 1.998; MELADO, 2002; MELADO, 2003; SORIO, 2000; SORIO, 2003; PINHEIRO MACHADO, 2004;), proposta pelo Agrônomo Jurandir Melado, a partir da sua experiência na Fazenda Ecológica (Ver bibliografia: MELADO, 1999; MELADO, 2000; MELADO, 2003).

A Pastagem Ecológica incorpora ao Sistema de Pastoreio Racional Voisin, um componente ecológico, ao recomendar:
 uma diversidade de forrageiras (gramíneas e leguminosas);
 uma arborização adequada das pastagens (com preferência por espécies nativas);
 Exclusão do uso de adubações químicas altamente solúveis, herbicidas, roçadas sistemáticas e o fogo.

O Sistema de Pastoreio Racional Voisin, proposto por André Voisin em 1957, na primeira edição francesa do seu livro "Produtividade do Pasto", é um sistema que permite um equilíbrio positivo dos fatores Solo, Pasto e Gado, com cada fator tendo um efeito positivo sobre os outros dois. Como neste sistema, a utilização da pastagem, feita através de uma rotação racional, proporciona o melhor aproveitamento possível das forrageiras, a produtividade chega a 3 vezes a alcançada pelo sistema extensivo na mesma pastagem.

O Pastoreio Voisin é o principal componente da "receita" para que uma pastagem se torne sustentável e mais produtiva. Este sistema, cujo detalhamento não cabe aqui, tem seu ponto fundamental no atendimento das necessidades fisiológicas do capim, ao mesmo tempo em que se procura atender às do gado. Ao se fazer isto, automaticamente, as necessidades do solo também são satisfeitas, proporcionando um equilíbrio positivo do trinômio solo-capim-gado.

A aplicação da Pastagem Ecológica na Região Amazônica vem sendo estimulada há mais de 5 anos, por programas institucionais voltados para o desenvolvimento sustentável da região. As principais ações de fomento, estão sendo implementadas pelo Programa Fogo - Programa de Prevenção e Controle dos Incêndios na Floresta Amazônica, mantido pela Cooperação Italiana e implementado em Mato Grosso pelas ONGs, Instituto Floresta de Pesquisas e Desenvolvimento Sustentável, no Norte e Associação Agro-Sócio Ambiental no Noroeste. Este programa vem divulgando a Pastagem Ecológica na região, através de palestras, cursos práticos e implantação de unidades demonstrativas, cujos resultados positivos já se mostram muito significativos.

A Pastagem Ecológica é também adotada como alternativa para o desenvolvimento sustentável da pecuária pelos seguintes programas:
 Programa VidAmazônia - "Promoção da conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste de Mato Grosso", do GEF-PNUD, enquanto este programa foi implementado pelo Instituto de Pró-Natura,
 Programa Terra Sem Males, mantido pela entidade inglesa: CAFOD - Fundo Católico de Apoio ao Desenvolvimento, em 15 municípios da região de Ji-Paraná - RO;
 Projeto GESTAR Araguaia, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (SDS-MMA), que atua em 15 municípios do Baixo Araguaia - MT;
 Projeto Cordão de Mata, desenvolvido na Região Norte do Rio de Janeiro, pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Ambientais - Pró-Natura.

Além da aplicação por programas institucionais, que atendem com prioridade produtores familiares e pequenos produtores, a alternativa da Pastagem Ecológica vem sendo procurada de forma crescente por médios e grandes produtores de diversas partes do país através da consultoria direta do Agrônomo Jurandir Melado.

Principais publicações sobre a Pastagem Ecológica e Pastoreio Racional Voisin:
 MELADO, Jurandir. Formação e Manejo de Pastagem Ecológica. Viçosa, CPT, 1999. 70 p. (Manual do Videocurso de mesmo nome)
 MELADO, Jurandir. Manejo de Pastagem Ecológica - Um Conceito Para o Terceiro Milênio. Aprenda Fácil Editora, Viçosa - MG, 2000. 224 p.
 MELADO, Jurandir. Manejo Sustentável de Pastagem sem o uso do fogo. Embaixada da Itália, Brasília - DF, 2002. 60 p.
 MELADO, Jurandir. Pastoreio Racional Voisin: Fundamentos - Aplicações - Projetos. Aprenda Fácil Editora, Viçosa - MG, 2003, 300 p.
 PINHEIRO MACHADO, Luiz Carlos. Pastoreio Racional Voisin: Tecnologia Agroecológica para o Terceiro Milênio. Porto Alegre, Editora 5 Continentes. 2004. 314 p.
 ROMERO, Nilo Ferreira. Alimente seus pastos com seus animais. Guaíba - RS, Livraria e Editora Agropecuária Ltda., 1994, 106 p.
 ROMERO, Nilo Ferreira. Manejo Fisiológico dos pastos nativos melhorados. Guaíba - RS, Livraria e Editora Agropecuária Ltda. , 1998. 110 p.
 SORIO Jr., Humberto. A Ciência do Atraso: Índices de lotação da Pecuária do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Editora da UFPS, 2000. 160 p.
 SÓRIO JR. Humberto. Pastoreio Voisin: Teorias - Práticas - Vivências. Passo Fundo - RS, Editora da UPF, 2003 400 p.
 VOISIN, André. Produtividade do pasto. São Paulo: Editora Mestre Jou. 1974. 520 p.
 VOISIN, André. Dinâmica das pastagens: devemos lavrar nossas pastagens para melhorá-las? São Paulo: Editora Mestre Jou. 1.979. 407 p.

Serviço
Jurandir Melado é Eng. Agrônomo,
Profº aposentado da UFMT e
Consultor em Manejo Sustentável de Pastagens.
E-mail: juramel@terra.com.br - Fone: (27) 3362-2258
Site: www.fazendaecologica.com.br

Nota: É proibida a reprodução deste texto em qualquer veículo de comunicação sem a autorização expressa do autor. Só serão permitidas citações do texto desde que acompanhadas com a referência/crédito do autor.

Fonte: Jurandir Melado

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