Conhecendo o manejo sustentável de pastagens Rio Branco, Acre

O presente artigo faz uma analise sobre o manejo de pastagens na prevencao dos incendios na floresta Amazonica. Tem como tecnologias básicas o Sistema de Pastoreio Racional Voisin e a Pastagem Ecológica está associado ao Programa de prevenção e controle dos incêndios na floresta amazônica desde a primeira fase do programa. Leia mais no artigo abaixo.

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Conhecendo o manejo sustentável de pastagens

O Manejo Sustentável de Pastagens que, na minha concepção, tem como tecnologias básicas o Sistema de Pastoreio Racional Voisin e a Pastagem Ecológica está associado ao Programa de prevenção e controle dos incêndios na floresta amazônica desde a primeira fase do programa, iniciado em outubro de 1999, com o projeto "Fogo! Emergência Crônica" por uma iniciativa da Cooperação Italiana no Brasil e financiado por um fundo emergencial do Governo Italiano.

Na fase I (1999-2002), as atividades desenvolvidas, na minha área de atuação, foram principalmente, reuniões com produtores e palestras de motivação e informação, sobre as alternativas ao uso do fogo no manejo e para a elevação da produtividade e sustentabilidade das pastagens. Em 2002, a Embaixada da Itália fez publicar o livro "A Amazônia Encontrando Soluções" em cujo conteúdo figurou o texto de minha autoria "Manejo Sustentável de Pastagens - sem o uso do fogo", que no volume completo e numa separata, levou informação sobre esta alternativa ao uso do fogo a milhares de pessoas interessadas, nas regiões mais necessitadas.

Na fase II (2003-2006) do Programa Fogo: A Amazônia Encontrado Soluções, como passou a ser conhecido, já em caráter ordinário e bilateral (com a participação do Governo Brasileiro - MMA), foi dado continuidade às palestras e iniciou-se a implantação de Unidades Demonstrativas de Manejo Sustentável de Pastagens. As UDs foram implantadas em parceria com produtores locais e apoio do Programa, que em alguns casos arcou com a totalidade dos custos. A iniciativa das Unidades Demonstrativas se revelou de grande eficácia na divulgação das tecnologias. Uma coisa é assistir a uma palestra informativa, por melhor que seja fundamentada, preparada e apresentada; outra coisa muito diferente é visitar uma unidade demonstrativa onde se podem verificar in loco os procedimentos, os efeitos benéficos de tecnologias e ouvir depoimentos espontâneos das pessoas envolvidas.

A partir de 2004, houve uma troca de comando no "Programa Fogo". Saiu o primeiro coordenador, Sr. Franco Perlotto e assumiu o Sr. Roberto Bianchi, que imprimiu nova dinâmica ao Programa, a partir daí chamado de "Programa de prevenção e controle dos incêndios na floresta amazônica". As atividades deste período (2004-2006) foram relatadas em uma publicação da Embaixada da Itália com o mesmo título do Programa, na qual o "Manejo Sustentável de Pastagens - sem o uso do fogo" teve presença destacada.
Ao longo dos anos, o Programa foi evoluindo e ocorreu uma seleção natural das alternativas que mais resultados trouxeram na prevenção do fogo na Amazônia. Daí surgiu a idéia do formato para a próxima etapa do programa: a formação de multiplicadores que pudessem replicar estas alternativas em suas áreas de atuação.

A atual e terceira fase do Programa (2007-2008), após exaustivo período de planejamento e mobilização da clientela (2007), está sendo efetivada com o "Curso de formação técnica sobre as alternativas ao uso do fogo no desenvolvimento sustentável da Região Amazônica". Este curso começou a ser ofertado em fevereiro deste ano, em 8 pólos: 4 no Pará (Altamira, Belém, Itaituba e Santarém); 3 em Mato Grosso (Alta Floresta, Juína e São Félix do Araguaia) e em Rio Branco no Acre. O Curso foi organizado em 10 módulos, sendo 9 com alternativas e 1 destinado à consolidação, assinatura de acordos e planejamento relativos à continuidade do Programa. A cada mês um formador leva a um dos pólos a sua alternativa.
O módulo 07, sob minha responsabilidade, recebeu o título de "Técnicas para o manejo e o melhoramento das pastagens". No momento (julho-2008), o módulo 07 já foi ofertado em 4 dos 8 pólos.

Este módulo, ofertado em 3 dias, consta de palestras técnicas e da instalação em campo de um sistema de cercas elétricas, procurando o máximo de aproximação com uma situação real, onde os cursandos aprendem na prática os procedimentos que possibilitam um bom manejo das pastagens.

Na parte teórica, é apresentado aos alunos, as causas da baixa produtividade média das pastagens brasileiras e as condicionantes que têm levado estas pastagens à degradação. Estas causas podem ser resumidas em uma só: o manejo inadequado. É mostrado que o sistema de pastoreio contínuo, ainda usado de forma geral no Brasil, permite apenas 1/3 da produtividade potencial de uma pastagem e a conduz gradativamente à degradação.

Como alternativa ao pastoreio contínuo, são detalhadas as normas do Pastoreio Racional Voisin e da Pastagem Ecológica, tecnologias que têm a capacidade não só de elevar significativamente a produtividade das pastagens, como também de promover a recuperação natural das pastagens degradadas. Como o manejo racional das pastagens requer a sua divisão em um número adequado (elevado) de parcelas, também faz parte do conteúdo do módulo a técnica das cercas elétricas, que tem se revelado como a melhor alternativa para a divisão das pastagens, de forma eficiente, segura, econômica e ecológica.

É também demonstrado claramente aos alunos, os malefícios do uso do fogo nas pastagens, que além de trazer sérios inconvenientes para a própria pastagem e o solo, é o que origina grande parte dos incêndios florestais em áreas de fronteira agrícola. Com a Pastagem Ecológica, o uso do fogo é totalmente descartado, por não trazer nenhum benefício e sim um grande número de malefícios.

É mostrado também, que se hoje a pecuária é apontada como uma vilã no processo de aquecimento global, a causa principal é o desmatamento para expansão da atividade e pela degradação das pastagens, transformando-as em verdadeiros espelhos refletores de calor para a atmosfera. As tecnologias propostas têm o grande mérito tanto de evitar novos desmatamentos, pela elevação da produção das pastagens já utilizadas, como de diminuir o efeito "refletor", pela recuperação das pastagens degradadas, transformando-as em Pastagens Ecológicas.

O curso é concluído com uma prática em campo, onde os alunos se exercitam na construção de um sistema de cercas elétricas simulando uma situação real de um projeto de manejo racional de pastagem. Esta instalação permanece no local de sua construção, como uma unidade demonstrativa de uma cerca elétrica padrão, aberta à visitação.

Após a realização do curso na metade dos pólos, posso dizer que estou muito satisfeito com a avaliação do módulo pelos alunos. Acredito que o maior mérito desta avaliação positiva, se deva à parte prática, onde os alunos podem verificar as possibilidades e facilidades de se levar para o campo as tecnologias exaustivamente mostradas na parte teórica do curso.

Quero expressar meu sentimento de satisfação e gratidão por participar desta iniciativa, que me dá a certeza de estar fazendo algo positivo para a preservação da Amazônia e do nosso Planeta.

Nota: É proibida a reprodução deste texto em qualquer veículo de comunicação sem a autorização expressa do autor. Só serão permitidas citações do texto desde que acompanhadas com a referência/crédito do autor.

Fonte: Jurandir Melado - Eng. Agrônomo, Prof. da UFMT (aposentado), autor de livros sobre manejo sustentável de pastagens e consultor da Cooperação Italiana

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