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Veja no presente artigo considerações gerais sobre o consumo de palmito. O palmito está como um dos principais comodities do agronegócio, com 1,5 bilhões/ano e na posição de quarto lugar. O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de palmito, no entanto, não é o maior exportador devido às "doenças" que podem estar associadas ao consumo.

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Equipe Portal Orgânico
Chef Renato Caleffi

O palmito está como um dos principais comodities do agronegócio, com 1,5 bilhões/ano e na posição de quarto lugar. O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de palmito, no entanto, não é o maior exportador devido às doenças∗ que podem estar associadas ao consumo.

O consumo nacional é de 160 milhões de kg/ano e o consumo percapita de 940g/pessoas/ano. São Paulo consome 45% do total produzido e 80% da produção ocorre de forma clandestina, ou seja, com extração ilegal, cujos danos ao meio ambiente e à saúde pública são elevados. Cumpre salientar que não existe mais o palmito nativo, ele existe apenas de forma cultivada.

O palmito do tipo açaí e juçara são comum na região norte do Brasil, o tipo pupunha é característico da região sul, e atualmente considerado o tipo mais ecológico, devido ao manejo responsável e vantagem de se perfilhar (brotar).

Vale destacar que as sementes do açaí mantêm mais de 30 espécies de aves e 15 espécies de mamíferos, já foi considerado como "ouro-branco" e hoje é chamado de "ouro-negro", pois sua polpa, ou melhor, o fruto da palmeira considerado "refugo" é processado e transformado em polpa, com destino ao mercado externo. No mercado interno, ficam os processados de qualidade inferior.

De acordo com a Embrapa de Roraíma, as alternativas mais ecológicas, como o cultivo e a diversificação de espécies para extração de palmito, contribuíram para aprimorar e ampliar este agronegócio, além de reduzir a pressão sobre o açaí e a juçara. Entre as espécies com maior potencial, está a pupunha (Bactris gasipaes Kunth.), palmeira nativa da Amazônia, vem sendo cultivada com sucesso em todas as regiões brasileiras e é uma alternativa ao extrativismo. O palmito retirado da pupunha também possui características que o diferenciam dos demais: é mais macio e é resistente à oxidação (escurecimento). Por isso, tolera um tempo maior de armazenamento, pode ser comercializado e consumido fresco, com o mínimo de processamento e sem perda de qualidade. Além do palmito, podem ser obtidos dois outros produtos que são classificados como palmito de segunda. Estas partes podem ser utilizadas no preparo de sopas, caldos e saladas. São fontes de alimento saboroso que podem contribuir para melhorar e diversificar a dieta. Segundo o biólogo Paulo Emílio Kaminski, responsável pelas pesquisas com pupunha na Embrapa Roraima: "essa planta pode ser cultivada nos diferentes sistemas de produção: em monocultivo, de forma adensada; em consórcio com outras espécies, nos sistemas agroflorestais; em áreas no limite de cultivos agrícolas e pode ser utilizada também para incorporar áreas degradadas ao sistema produtivo; a versatilidade desses cultivos e a diversidade de produtos da pupunha fazem desta planta uma ótima alternativa para melhoria da renda familiar.".

O manejo do palmito também pode ser questionável sob diversos enfoques, por exemplo, no corte do palmito, a palmeira libera uma seiva doce e para evitar contaminação ou ataques predatórios, é aplicado pinceladas de um líquido "ecológico". A questão é saber que tipo de líquido ecológico está falando. No manejo ecológico do palmito diz-se que aplica-se um "inseticida orgânico", talvez o termo seja conflituoso, mas trata-se de um extrato pirolenhoso que afasta predadores, semelhante à fumaça aplicada às abelhas. Pois bem, sendo assim, joga-se fumaça ao meio ambiente e contribui-se ao efeito estufa, sem questionar o tipo de madeira que é utilizado no processo.

Sem dúvida, há que se avaliar o impacto mesmo que seja um ato com as melhores intenções de minimizar outros impactos piores.

Fonte: Chef Renato Caleffi

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