Entenda a influência do clima no humor do bipolar Cuiabá, Mato Grosso

Compreenda como as estações do ano interferem nos pacientes de transtorno bipolar. Analise também, as principais causas da doença. "Quando o humor está rebaixado, dizemos que a pessoa está deprimida; quando está elevado, a pessoa fica eufórica e se instala o que chamamos de fase maníaca. O transtorno bipolar do humor é um distúrbio na modulação do humor, com a característica de ocorrer várias vezes ao longo da vida em forma de episódios ou crises que duram algumas semanas ou meses", define o autor.

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Entenda a influência do clima no humor do bipolar

Apesar de o Brasil não ter mudanças bruscas de temperatura, pesquisadores e médicos estão começando a dar mais importância para as questões climáticas e o comportamento dos pacientes.
Ellen Cristie Ele é coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Socor e, recentemente, defendeu a tese de doutorado “Sazonalidade das internações por mania em um hospital psiquiátrico de Belo Horizonte”, pela Escola Paulista de Medicina. O trabalho, que já foi aceito para publicação em uma revista científica da área, analisou como o clima e as estações do ano influenciam o estado de humor de pacientes portadores do transtorno bipolar.
Segundo o psiquiatra, o inverno e a primavera refletem negativamente nas emoções dessas pessoas. Apesar de o Brasil não ter mudanças bruscas de temperatura, pesquisadores e médicos estão começando a dar mais importância para as questões climáticas e o comportamento dos pacientes. Os estudos do psiquiatra também farão parte das discussões do Encontro da Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar, que ocorrerá em Edimburgo, na Escócia, em agosto. Em entrevista ao Bem Viver, Fernando Volpe fala sobre sua tese, a metodologia usada e sobre os principais sintomas dos portadores de transtorno bipolar.

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  • O que é transtorno afetivo bipolar? é a mesma coisa que transtorno bipolar?
Sim, todos esses nomes transtorno bipolar do humor, distúrbio bipolar, transtorno afetivo bipolar e transtorno bipolar, que antigamente tinham o nome de psicose maníaco-depressiva (PMD) têm o mesmo significado. Em Psiquiatria, quando falamos em humor, o sentido é um pouco diferente do coloquial: descrevemos o estado basal e persistente que dá colorido às vivências das pessoas, e que pode variar em ambas as direções – Quando o humor está rebaixado, dizemos que a pessoa está deprimida; quando está elevado, a pessoa fica eufórica e se instala o que chamamos de fase maníaca. O transtorno bipolar do humor é um distúrbio na modulação do humor, com a característica de ocorrer várias vezes ao longo da vida em forma de episódios ou crises que duram algumas semanas ou meses, em que a pessoa fica ora em estado depressivo, ora em estados eufóricos, alternando com alguns períodos sem sintomas.
A doença se assemelha à depressão comum, só que inclui também estados eufóricos. Com relação à fase eufórica, o que temos é uma elevação do humor que se caracteriza por um sentimento de grandiosidade, de poder e de bem-estar exagerado, que evolui para uma irritabilidade, podendo chegar à agitação intensa. A pessoa fica desinibida, inapropriada socialmente (sem limites), numa alegria excessiva, fora de contexto. A fala e o pensamento ficam tão acelerados que podem perder o nexo. O indivíduo perde a necessidade de dormir. No aspecto financeiro, o portador da doença pode se sentir muito rico, achar que pode doar os bens ou comprar coisas para os outros. é comum a pessoa se endividar para o resto da vida, nos casos mais graves. No comportamento social e sexual, é a mesma coisa. Ela se envolve em casos complexos, com vários parceiros, trazendo conseqüências morais e, posteriormente, angústia.
Complicações familiares também são registradas, havendo elevadas taxas de separações e divórcios. Não é fácil conviver com um cônjuge bipolar, especialmente na fase eufórica da doença. "Pais com transtorno bipolar, por exemplo, têm mais chances de ter filhos com a doença ou com depressão. Esses sintomas podem se manifestar em qualquer faixa etária"
  • Quais são as principais causas do transtorno bipolar?
Podemos dizer que todo transtorno mental e comportamental tem causas múltiplas, que atuam ao mesmo tempo e interagem entre si. Há fatores constitucionais (genéticos), psicológicos (ligados à personalidade) e fatores que funcionam como gatilho (desencadeantes). No transtorno bipolar, a herdabilidade genética responde por cerca de 80% do risco de se desenvolver a doença. Ela é transmitida nas famílias, mas isso não explica tudo. Existem também pessoas que nascem com tendência, mas não desenvolvem a doença ou a desenvolvem por fatores não-genéticos. Por outro lado, se você tem casos de transtorno bipolar ou depressão na família, as chances aumentam.
Pais com transtorno bipolar, por exemplo, têm mais chances de ter filhos com a doença ou com depressão. Esses sintomas podem se manifestar em qualquer faixa etária, mesmo na infância ou na velhice. é comum que pessoas não tenham sintoma nenhum até determinada época da vida. O mais comum é que os sintomas surjam pela primeira vez em adultos jovens ou de meia-idade. Acomete homens e mulheres em proporções semelhantes, e nas formas mais brandas pode atingir até 6% da população ao longo da vida. é uma doença que não tem cura, mas que exige tratamento contínuo para ser controlada, assim como a diabetes e a hipertensão arterial.
  • Como o clima influencia o humor?
Nas pessoas que não são portadores de transtorno bipolar, o clima influencia o humor de forma diferente do que para os portadores. Normalmente, boa parte das pessoas que respondem a questionários sobre humor e comportamento admite a influência das estações do ano e das condições climáticas nas emoções. São comuns os relatos de que, nos dias mais frios e mais fechados (mais nebulosos ou chuvosos), elas têm queda de energia e de humor. Ao contrário, nos dias mais luminosos e quentes, aumenta a energia e o humor costuma melhorar. Assim funciona na população em geral. Há um grupo de pessoas que tem essa característica um pouco mais acentuada e desenvolve o que chamamos de transtorno afetivo sazonal, que se caracteriza mais tipicamente por quadros de depressão no inverno e melhoras no verão. Só que a pessoa realmente desenvolve uma depressão, não fica apenas um pouco menos animado. é possível influenciar o humor com tratamentos usando a luminosidade artificial. E o interessante é que um dos tratamentos usados nos países temperados é a exposição à luz intensa. Há um outro estudo em que pesquisadores forçaram pacientes na fase maníaca a permanecer num quarto escuro durante 14 horas à noite. Enquanto dormiam, os pacientes aceleravam a melhora dos quadros de mania (fase eufórica). Outros estudos mostram que os pacientes internados por depressão que são alocados em quartos mais luminosos melhoram mais rapidamente do que aqueles que ficam em quartos menos ensolarados.
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  • No Brasil, país de clima tropical, esses índices de depressão decorrentes do clima não deveriam ser insignificantes?
Essa é uma surpresa. Especialmente em Belo Horizonte, considerada uma cidade de clima ideal. Temos duas estações bem definidas: a seca, que é mais fria; e a chuvosa, mais quente. Não temos, como nos países temperados, quatro estações. O clima de BH é chamado de subtropical mesotérmico, ou seja, é a transição entre o clima tropical e o temperado, com temperaturas moderadas. Normalmente, a gente poderia pensar que variações climáticas extremas, que são típicas de países ou regiões de altas latitudes, como por exemplo, o sul da Argentina, a Escócia, os países nórdicos, seriam responsáveis pelas alterações de humor. Mas vários estudos começaram a ser feitos em regiões mais próximas ao Equador e o interessante é que, tanto no Hemisfério Norte quanto no Sul, seja na Europa, na ásia ou na Oceania e na América do Norte, há dados que indicam que existem variações da ocorrência de episódios, tanto maníacos quanto depressivos, de acordo com as estações do ano. O achado mais freqüente em todo o mundo é que isso ocorre mais na primavera.
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  • Por que a primavera e o inverno especificamente são estações mais difíceis para os portadores do transtorno bipolar?
Em cada região do globo, as variáveis climáticas se combinam de forma variada. Na Inglaterra, por exemplo, chove mais no inverno do que no verão. Aqui em BH, é mais escuro no verão e a luminosidade é maior no inverno por causa da falta de nuvens, mas até então não tínhamos como determinar qual aspecto climático, se era a temperatura, a luminosidade, a umidade do ar ou outro aspecto o responsável por esse fenômeno. A forma de descobrir qual dessas variáveis do clima é a mais importante é fazer estudos em lugares com condições climáticas diferentes. A partir da combinação desses estudos, chegamos à conclusão de que provavelmente é a luminosidade o principal fator climático que modula a ocorrência dos episódios em portadores de transtorno bipolar (ao contrário do senso comum que diz que é a escuridão a responsável pela depressão e outros distúrbios). "Boa parte das pessoas que respondem a questionários sobre humor e comportamento admite a influência das estações do ano e das condições climáticas nas emoções" Nos países frios, o número de suicídios é muito ligado às baixas temperaturas? Até que ponto o frio afeta as pessoas consideradas normais? Na verdade, o suicídio é mais freqüente na primavera.
Há métodos que confirmam que pessoas que suicidam também são portadores de outras doenças psiquiátricas, como, por exemplo, os transtornos afetivos. Essas pessoas são mais sensíveis aos efeitos da luz do que os não portadores. Há um mecanismo biológico por trás disso, mas não o conhecemos totalmente. As teorias atuais indicam que uma disfunção na produção do hormônio da melatonina (produzido pela glândula pineal) é um dos mecanismos biológicos envolvidos nesse fenômeno, assim como na ocorrência das crises em portadores do transtorno bipolar. Também foi demonstrada uma variação nos níveis de serotonina (neurotransmissor associado à depressão e à impulsividade) do cérebro, de acordo com as estações do ano. Há também teorias sociais, mas para estas faltam evidências empíricas.
  • Qual foi a metodologia usada em sua tese de doutorado?
Esse estudo foi feito dentro do Programa de Doenças Afetivas da Escola Paulista de Medicina, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A orientação foi do professor-doutor José Alberto Del Porto, coordenador do Programa. Os dados foram colhidos na Casa de Saúde Santa Maria, uma clínica psiquiátrica tradicional em Belo Horizonte. Em visitas ao hospital, buscamos nos registros de pacientes, entre 1996 a 2000, qual foi a freqüência dos episódios de fase eufórica (mania) do transtorno bipolar. Em média, eles representam 7% das internações. Encontramos variações de 50% para mais e para menos. O mínimo da freqüência de internações por mania foi em fevereiro e o máximo em agosto. Esse pico das internações por mania se correlacionou com os meses mais luminosos, mais secos e mais frios do ano. Nunca um trabalho sobre essa correlação havia sido publicado na América do Sul. Foram analisados os dados de 425 internações nesse período de cinco anos.
A conclusão a que chegamos é que também numa região de clima subtropical existem variações significativas na ocorrência de episódios de mania ao longo do ano. Ao contrário do que pensávamos, esse fenômeno é universal e não somente inerente a países com condições climáticas variadas. A partir desse resultado, imaginamos que também os pesquisadores brasileiros se sentirão estimulados a investigar tratamentos que levem em conta as variáveis climáticas e a sensibilidade dos pacientes a elas, à semelhança do que já ocorre em países de clima temperado. Há formas de prever quando o paciente de transtorno bipolar vai entrar em crise? Essa é uma necessidade não atendida pela ciência psiquiátrica. Ainda não temos mecanismos de prever a próxima crise. é a mesma coisa que dirigir um carro sem levar estepe, ou seja, quando podemos prever que o pneu vai furar? é imprevisível. Muitas vezes, quando a pessoa melhora e sai da crise, pára de tomar os medicamentos e aí costuma vir uma nova crise. Esta pode ser tão grave ao ponto de necessitar de internação ou levar ao suicídio. Os medicamentos, nestes casos, agem como verdadeiros estabilizadores do humor. Previnem a ocorrência das crises maníacas e depressivas. Portanto, é fundamental o acompanhamento psiquiátrico contínuo para o sucesso do tratamento.
  • Por que as estatísticas são cada vez mais crescentes com relação à incidência de doenças mentais?
De forma geral, os casos identificados na clínica são apenas a ponta do iceberg. Quando se fazem estudos na comunidade, esse contingente de doentes é muito maior. Na década de 90, apenas, é que começou-se a realizar estudos nacionais de prevalência destas doenças, ou seja, eles são muito recentes. Geralmente, tendemos a identificar aquelas doenças para as quais existe tratamento. E a ciência psiquiátrica tem evoluído muito nesse campo, por isso estamos mais atentos aos casos. A percepção de que as estatísticas aumentam parece muito mais o fruto de uma melhor percepção do que realmente um aumento absoluto dos casos.

Fonte: Jornal Estado de Minas Seção: Bem Viver Data: 04/06/2006 Estado: MG

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