Entendendo a pecuária ecológica Brasília, DF

Para meditar: "Antes de se tornar um bom produtor de carne ou de leite, o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim" A pecuária no conceito convencional não é sustentável. É freqüente lermos artigos ou ouvir palestras de conceituados professores e técnicos, como se fosse uma fatalidade, a recomendação sobre as reformas periódicas das pastagens. Leia mais no artigo abaixo.

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Entendendo a pecuária ecológica

Para meditar: "Antes de se tornar um bom produtor de carne ou de leite, o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim"

A pecuária no conceito convencional não é sustentável.

É freqüente lermos artigos ou ouvir palestras de conceituados professores e técnicos, como se fosse uma fatalidade, a recomendação sobre as reformas periódicas das pastagens. Na realidade esta é uma recomendação válida apenas dentro de um conceito convencional de manejo de pastagens, com aplicação do pastoreio contínuo ou do pastoreio rotativo simples. Reformar uma pastagem com aração e novo semeio, sem pensar em adotar a partir daí um eficiente sistema de manejo, é tratar apenas dos sintomas, desprezando as causas da degradação da pastagem.

Não acredito que o técnico que recomenda a reforma convencional de uma pastagem o faça com intuito de dar prejuízo ao produtor. Mas ao assim proceder, está revelando uma ignorância ou desconsideração por métodos mais naturais, já consagrados, que possibilitam a recuperação de pastagens praticamente sem uso de mecanização ou insumos.

Com a aplicação do Pastoreio Racional Voisin e do conceito de Pastagem Ecológica, não só neutralizamos as causas da degradação e da baixa produtividade das pastagens, como as recuperamos e as tornamos mais produtivas e sustentáveis.

Pastoreio contínuo: a principal causa da degradação das pastagens:
Com o pastoreio contínuo, forma de manejo (ou ausência de manejo) ainda predominante no Brasil, ocorrem duas situações muito desfavoráveis ao bom desenvolvimento das forrageiras de uma pastagem, situações que resultam na degradação ou na sua baixa produtividade da pastagem.

Uma situação é o super-pastoreio na qual a pastagem é submetida constantemente a um pastejo a fundo, que mantém a pastagem sempre nos primeiros estágios de crescimento, não permitindo que atinja a fase em que ocorre o acúmulo das substâncias de reservas, que possibilitam o rápido crescimento da forrageira logo após um período de pastoreio. Com a persistência do super-pastoreio, as plantas vão ficando com o porte cada vez mais reduzido, diminuindo a quantidade de massa verde disponível para os animais por unidade de área. O mesmo acontece com as raízes, tornando as plantas cada vez menos capazes de extrair do solo a água e os nutrientes necessários a uma produção aceitável. Com isto a pastagem vai ficando cada vez mais rala e sujeita aos efeitos da ação do sol, da chuva e do vento, acelerando a degradação da pastagem. Não demora o produtor começa a pensar numa reforma da pastagem como uma solução para que área volte a produzir como antigamente.
A outra situação é o sub-pastoreio, quando a pastagem é pouco consumida e ocorre excessiva sobra de massa, que envelhecendo e secando, prejudica a brotação da pastagem, sendo uma pretensa justificativa para que produtores comodistas usem o fogo para resolver o problema. Hoje, pelas suas drásticas conseqüências, o manejo com fogo não é aconselhável nem mesmo como última alternativa. Usar o fogo para eliminar sobras nas pastagens, é como tirar um espinho do seu dedo com uma martelada. Pode até funcionar para o fim desejado, mas os efeitos colaterais serão tantos e tão sérios, que a alternativa não se justificaria jamais!

Em pastagens extensas, podem ocorrer simultaneamente as duas situações indesejáveis: super-pastoreio nas áreas mais acessíveis (próximo das porteiras de entrada, dos saleiros e das aguadas) e sub-pastoreio nos locais menos acessíveis (mais distantes e nos altos de morros).

Outra conseqüência do pastoreio contínuo são as longas caminhadas feitas pelo gado diariamente. Em situações normais, um bovino chega a caminhar 10 km por dia, ocasionando um gasto desnecessário de energia, além da compactação do solo e da inutilização de parte das forrageiras pelo continuado pisoteio.

Pastoreio Voisin e Pastagem Ecológica:
Após dedicar um espaço talvez exagerado para o "vilão", vamos voltar nossa atenção para as alternativas que realmente contribuem para o manejo sustentável de pastagens, sem a qual nem podemos pensar em uma pecuária sustentável. O manejo sustentável das pastagens tem sua base científica e técnica no Pastoreio Racional Voisin e na Pastagem Ecológica (Sistema Voisin Silvipastoril).

O Sistema de Pastoreio Racional Voisin (lê-se: voazan) é um sistema de manejo intensivo, que possibilita um equilíbrio entre os três elementos: solo-pastagem-gado, onde cada elemento tem um efeito positivo sobre os outros dois. Através de procedimentos simples, transformamos o gado, que no sistema convencional é um predador da pastagem (e como conseqüência, também do solo), num excelente beneficiador do sistema.

O procedimento básico consiste na conveniente divisão das pastagens, de modo a ser possível fazer valer as "4 Leis Universais do Pastoreio Racional", magistralmente enunciadas por André Voisin no seu principal livro, "Produtividade do Pasto", publicado inicialmente em 1957. Não basta, porém, para se alcançar o sucesso, dividir as pastagens e fazer o rodízio simples do gado pelos piquetes. Antes de tudo, é necessário que operador do sistema compreenda a essência das quatro leis universais e que persiga a todo custo o seu cumprimento.

Leis Universais do Pastoreio Racional. (VOISIN, 1974):
André Voisin estabeleceu as bases para uma pecuária sustentável ao longo das quase 1000 páginas dos seus principais livros: "Produtividade do Pasto" e "Dinâmica das Pastagens", publicados no Brasil em 1974 e 1979 respectivamente. Porém, num toque de gênio, resumiu os principais conceitos em quatro "leis universais", que poderiam ser expostas em apenas uma página! As duas primeiras leis se destinam ao pasto e as duas últimas ao gado.

Primeira Lei, "lei do repouso" ou primeira lei dos pastos:
"Para que o pasto cortado pelo dente do animal possa dar a sua máxima produtividade, é necessário que entre dois cortes consecutivos tenha passado um tempo que permita ao pasto:
a)Armazenar em suas raízes as reservas necessárias a um começo de rebrote vigoroso;
b)Realizar sua 'labareda de crescimento' ou grande produção diária de massa verde."
(O período de repouso necessário varia com a situação geográfica, a estação do ano, as condições climáticas e a fertilidade do solo e demais condições ambientais).

Os tempos de repouso não são iguais durante todo o ano, havendo períodos de crescimento acelerado e outros de crescimento lento ou quase nulo. Em média, os piquetes de um sistema de Pastoreio Racional Voisin são ocupados de seis a oito vezes, durante o ano, em qualquer das regiões do Brasil. Nos períodos mais favoráveis do ano, os piquetes chegam a serem usados com intervalos entre pastejos, de 28 a 35 dias. Por outro lado, nos períodos críticos em algumas regiões, esse intervalo pode ultrapassar 120 dias. A boa condução do Pastoreio Racional vai depender de decisões acertadas no gerenciamento dessas variáveis.

O processo de desenvolvimento do capim pode ser mais facilmente compreendido observando-se a sua "curva sigmóide de crescimento" que representa o que acontece com o pasto durante o seu período de repouso, após cada corte (pastejo):
O ponto de partida é o pasto recém consumido, que vai entrar em repouso:
Com 1/3 do tempo ótimo de repouso, o volume de massa é de apenas 10 % do ideal (100 %); Com 1/2 do tempo ótimo, o volume de massa é ainda de apenas 33 % do ideal.
Vemos então que dois terços da massa da pastagem é formada na segunda metade do período ótimo de repouso.
No sistema de Pastoreio Racional Voisin existem as condições para se conduzir o pastejo de modo que os animais só entrem no pasto no seu pronto ótimo de repouso, tendo então um rendimento de 100%. Já no Pastoreio contínuo, os animais estão sempre consumindo a brotação nova do capim, permitindo um aproveitamento de apenas 33 % do ideal.
Esta é a razão técnica que permite dizer que o Sistema de Pastoreio Voisin tem teoricamente uma capacidade de produção de forragem três vezes superior ao Sistema de Pastoreio Contínuo. Esta informação teórica é facilmente comprovada na prática do campo.

Segunda Lei, "lei da ocupação" ou segunda lei dos pastos:
"O tempo global de ocupação de uma parcela ou piquete deve ser o suficientemente curto de modo a não permitir que uma planta cortada pelos animais no início da ocupação seja novamente cortada antes que os animais deixem o piquete"

A finalidade fundamental dessa lei é não permitir que os animais comam sucessivamente os rebrotes do capim, provocando o esgotamento de suas reservas e a conseqüente degradação das pastagens. Um erro comum ao se implantar um sistema de rotação de pastagens, é usar um número reduzido de piquetes, prolongando a permanência do gado nos piquetes, pressupondo que basta um tempo adequado de repouso para o sucesso do manejo. A realidade, porém, é outra, bastando poucos dias em períodos de chuvas intensas para que a brotação do capim já possa ser colhida novamente pelos animais, na mesma passagem pela parcela.

É o atendimento dessas duas primeiras leis que propicia a tão grande diferença de rendimento ou produtividade do pasto do Pastoreio Racional Voisin em relação ao Pastoreio Contínuo.

Terceira Lei, "lei da ajuda" ou primeira lei dos animais:
"É preciso ajudar os animais que possuam exigências alimentares mais elevadas a colherem a maior quantidade de pasto e que este pasto seja da melhor qualidade possível"

Quanto menos trabalho de rapagem (ou terminação do pastoreio) se imponha ao animal, mais pasto ele colherá.

Dois grupos: "desnate" e "repasse":
Uma maneira eficaz de melhor atender às necessidades dos animais mais exigentes é a divisão dos animais que vão participar do pastoreio, em dois grupos, sendo um grupo menor, composto dos animais que se pretende beneficiar e o outro grupo com os animais restantes. No pastoreio de cada piquete, o primeiro grupo (menor) entra na frente, durante a metade do tempo de ocupação do piquete, fazendo apenas o "desnate", ou seja, colhendo com maior facilidade a melhor parte do alimento. Na segunda metade do período de pastoreio, entra o segundo grupo (maior), fazendo o "repasse" e consumindo o pasto até a altura adequada. Para que esse esquema surta os melhores efeitos, o primeiro grupo deverá ser bem pequeno em relação ao total de animais, de modo que lhe seja fácil colher a melhor parte do alimento, em quantidade e qualidade. Uma boa relação é 30% dos animais no primeiro e 70% no segundo grupo.

Quarta Lei, "lei dos rendimentos regulares" ou segunda lei dos animais:
"Para que o animal (bovino) produza rendimentos regulares, ele não deve permanecer mais que três dias em uma mesma parcela. Os rendimentos serão máximos, se o animal não permanecer no piquete mais que um dia."

Essa lei tem a finalidade de evitar uma variação na produção animal, seja na quantidade de leite produzida, no crescimento ou no ganho de peso dos animais em engorda. Quando um animal é colocado a pastar em um piquete, ele atinge o seu rendimento máximo logo após o primeiro dia. O rendimento decresce, à medida que o tempo de permanência no piquete se prolonga. Esse fato é uma conseqüência direta da terceira lei, pois, à medida que o pasto fica mais "rapado", o animal colherá quantidades cada vez menores de um pasto de qualidade cada vez mais inferior. Com uma permanência de três dias ou menos, esse decréscimo no rendimento é menos sensível, devido a mecanismos compensatórios próprios do metabolismo dos animais. Porém, com uma permanência de mais de três dias, a dificuldade crescente na "colheita" e a queda da qualidade do alimento resultará num decrescente rendimento na nutrição do animal, o que refletirá numa menor produção leiteira, ou num crescimento ou ganho de peso mais lento.

Manejo do gado no Sistema de Pastoreio Voisin:
A - Sistema livre:
O gado fica em um piquete por um período de 1 a 3 dias, com acesso livre, através de corredores, à área de lazer, onde dispõe de sombra, água e sal;

B - Sistema conduzido:
O gado fica confinado em um piquete por um período de 1 a 3 dias, sendo diariamente conduzido à área de lazer, onde permanece confinado por 4 horas do período mais quente do dia. Após as 4 horas, o gado é conduzido ao piquete ou a novo piquete. Em regiões onde ocorrem temperaturas elevadas, pode se tornar conveniente que a permanência do gado na área de lazer se prolongue por um período de até 6 horas. Vacas de leite em lactação necessitam dispor de acesso à água duas vezes ao dia.

Este é o sistema mais aconselhado, pois encerra diversas vantagens em relação ao sistema livre, além de se mostrar mais produtivo.

Pastagem Ecológica (Sistema Voisin Silvipastoril):
A partir do trabalho desenvolvido na Fazenda Ecológica, situada na Baixada Cuiabana em Mato Grosso, (MELADO, 1999; MELADO, 2000; MELADO, 2003), Passei a chamar de "Pastagem Ecológica" ao resultado da aplicação do Pastoreio Voisin associado a outros critérios que possibilitam um melhor equilíbrio ecológico da pastagem, favorecendo a sua sustentabilidade. Na Fazenda Ecológica, as pastagens foram obtidas, sem supressão do ecossistema original do cerrado, resultando numa perfeita Pastagem Ecológica. Com a disseminação do conceito de Pastagem Ecológica em outras regiões e biomas além do cerrado, fomos solicitados a formalizar um conceito de pastagem ecológica:

Pastagem Ecológica é uma pastagem, situada em qualquer região, que agregue as seguintes características:
Diversificação de forrageiras;
Arborização adequada ao desenvolvimento das forrageiras e ao conforto do gado;
Manejo segundo os conceitos do Pastoreio Racional Voisin;
Exclusão de manejos convencionais como:
Uso de adubos altamente solúveis;
Uso do fogo;
Uso de herbicidas, inseticidas e vermífugos pesados (aqueles que eliminam também os besouros e vermes da terra);
Uso de roçadas sistemáticas.

Atendendo a estas condições é possível a conversão de uma pastagem qualquer, em qualquer região do Brasil, em uma Pastagem Ecológica no curso de poucos anos.

Exemplos de sustentabilidade:
Como o Pastoreio Racional Voisin não recebeu ainda a devida atenção dos órgãos oficiais de pesquisa nem das principais universidades do país (o que já está mudando, através dos exemplos da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade de Passo Fundo - RS), quem quiser conhecer e comprovar a capacidade que tem o Sistema de Pastoreio Racional Voisin de recuperar e tornar produtiva e sustentável uma pastagem, deverá ler a já farta bibliografia disponível e visitar um dos já milhares de projetos implantados em praticamente todos os estados brasileiros.

Por falta de espaço, vou citar textualmente apenas duas propriedades que são exemplos de sustentabilidade:

Fazenda Conquista - Bagé - RS:
A Fazenda Conquista, abriga desde 1963 o projeto pioneiro de Pastoreio Voisin no Brasil. Conduzido pelo Agrônomo e principal discípulo do Voisin em todo o mundo, Dr. Nilo Romero, o projeto da Fazenda Conquista é há mais de 40 anos, o principal exemplo de sustentabilidade da pecuária, com o uso do Pastoreio Voisin. A Fazenda Conquista vem obtendo uma média de 300 kg de ganho de peso vivo em bovinos por hectare ano, sem usar qualquer processo de reforma das pastagens ou adubação química, enquanto que as propriedades da região obtêm apenas cerca de 70 kg. (ROMERO, 1994; ROMERO, 1998)

Fazenda Ecológica Santa Fé do Moquém - Nossa Senhora do Livramento - MT:
O ponto forte da Fazenda Ecológica (MELADO 1999; MELADO 2000), onde iniciei os trabalhos e são mantidos campos de experimentação e demonstração, é comprovar cabalmente possibilidades, algumas antes inimagináveis por muitos:
Pode-se formar no cerrado, sem qualquer desmatamento, aração do solo, queimadas ou adubação e a um custo de menos de 30 % do usual, pastagens 2 vezes mais produtivas que qualquer outra obtida pelos métodos convencionais na mesma região;
As pastagens, quando bem manejadas (Pastagem Ecológica), se tornam sustentáveis, com evolução positiva com o passar dos anos. - Na Fazenda Ecológica, pastagens formadas pelo método ecológico há mais de 12 anos, continuam em evolução e em equilíbrio com o meio ambiente;
O Gado, quando criado em um ambiente natural, como a Pastagem Ecológica e manejado dentro de princípios racionais e de respeito pelo animal (Pastoreio Voisin e Etologia Aplicada), se torna manso e manejável como um "animal de circo" e feliz como um animal silvestre;
As condições fundamentais para um bom manejo do gado e da pastagem são obtidas através da adequada divisão das pastagens com uso das cercas elétricas. Na Fazenda Ecológica, nos preocupamos em aperfeiçoar as cercas elétricas, alcançando uma cerca especial que passamos a denominar "Cerca Elétrica padrão Fazenda Ecológica", que agrega qualidades desejáveis como: eficiência, funcionalidade, segurança, economia e durabilidade. (MELADO, 2003).

Principais vantagens do Pastoreio Voisin e da Pastagem Ecológica:
As vantagens são tantas e em tantas áreas, que em meu último livro (MELADO, 2003), as classifiquei isoladamente e em categorias: vantagens para o pasto; vantagens para o gado; vantagens para o solo; vantagens para o meio ambiente; vantagens de ordem organizacional e vantagens econômicas. Vou citar apenas as principais e de forma agrupada:

PASTAGEM: As pastagens, adequadamente manejadas, se recuperam da degradação, se tornam mais fortes, diversificadas, produtivas e capazes de enfrentar situações adversas;

GADO: O gado, bem alimentado e manejado de forma rotineira com respeito e racionalidade, responde com maior produção e uma mansidão que facilita todos os trabalhos de manejo, seja no campo, no curral, no transporte e no manejo pré-abate, gerando facilidades e economia de mão de obra;

SOLO: O solo se beneficia da melhor cobertura vegetal, que dificulta os efeitos da erosão. A fertilidade e a textura melhoram, com a deposição dos dejetos de forma concentrada. A ação biológica é incrementada, pelo "efeito fermento" dos dejetos concentrados, disponibilizando nutrientes antes indisponíveis;

MEIO AMBIENTE: Há uma maior proteção do meio ambiente, por conta da ampliação da biodiversidade de forrageiras, da arborização e da proteção dos cursos d'água (uso preferencialmente de bebedouros artificiais). Além disso, o aumento da produtividade tem um efeito positivo sobre a diminuição da demanda por novas áreas para atender à expansão da pecuária;

ORGANIZAÇÃO: O sistema força uma melhor organização da propriedade. O gado ficando concentrado em piquetes facilita o controle e supervisão do rebanho. O uso de fichas adequadas dá ao produtor um total controle sobre os pastos e o gado; com a facilidade de manejo com o gado, sobra mão de obra para outras atividades da fazenda;

ECONOMIA: A maior carga animal por hectare, a economia de insumos e M.O., o melhor ganho de peso = antecipação de venda de animais, tudo isto reflete em ganhos econômicos e um melhor retorno do capital empregado.

A todas estas vantagens, podemos acrescentar mais uma que considero fundamental: a SATISFAÇÃO dos proprietários e funcionários, por ter o controle da situação em suas mãos e pelo sentimento de que estão realizando "a coisa certa" e que seu trabalho é importante e valorizado.

Recomendações importantes para um bom início:
O Sistema de Pastoreio Racional Voisin pode nos proporcionar tudo que foi relatado acima e muito mais. Porém nunca será como uma máquina automática, que é só ligar e esperar os resultados. Pelo contrário, o Pastoreio Voisin é uma tecnologia que necessita conhecimento e dedicação permanente, para que se alcance os objetivos. Estudar, observar, anotar, comparar, refletir, decidir e executar são verbos que devem ser sempre colocados em prática, para a solução de qualquer eventualidade que com certeza surgirá, no planejamento, implantação ou manejo de qualquer projeto. Algumas recomendações podem ser especificadas:

Consulta a um especialista: como em qualquer atividade, é sempre importante, podendo refletir em economia de tempo e dinheiro, evitando o aprendizado por tentativa e erro;
Ler muito sobre o assunto, assistir palestras, visitar projetos implantados e trocar idéias com outras pessoas que já tenham experiência;
No planejamento do sistema, não economizar no número de piquetes. Quanto mais piquetes houver, mais facilidade se terá no planejamento e manejo do pastoreio. 60 a 80 piquetes por módulo é um número razoável !
Na construção das cercas elétricas, procurar fazer uma cerca de qualidade. A idéia é usar o seu tempo no futuro para fazer manejo do pasto e do gado, evitando ter que fazer "manejo de cerca" ou seja, reparos e adaptações constantes em uma cerca mal planejada e construída!
Em pequenos projetos, em áreas de 100 hectares para baixo, o uso de cercas elétricas móveis poderá ser um elemento importante para a economia das instalações;
Com o projeto implantado, manter atualizados os registros, principalmente sobre a utilização dos piquetes: datas de entrada e saída, número de animais e unidades animais (UA), índice de chuva, ocorrências significativas e não rotineiras etc. São os dados históricos do manejo que permitiram uma análise detalhada do sistema e fornecerão elementos para a avaliação da sua evolução e a tomada de decisões.

Conclusão:
Na pecuária sustentável temos uma aparente contradição: os efeitos benéficos da intensificação sobre a sustentabilidade da pastagem. O fato é que, diferentemente do que ocorre no pastoreio contínuo e no pastoreio rotativo simples, no Pastoreio Racional Voisin, as pastagens são usadas em rotação com altas cargas instantâneas (muitos animais) em curtos períodos de ocupação (no máximo 3 dias). No pastoreio contínuo os animais exercem o seu costumeiro "pastejo seletivo", no qual as forragens são consumidas na escala decrescente da palatabilidade, consumindo sempre as forragens de melhor qualidade e favorecendo as piores. Com isto tem-se uma seleção negativa que ajuda conduzir a pastagem à degradação. Com o Pastoreio Racional Voisin, em função das altas cargas instantâneas e do curto período de ocupação, os animais passam a exercer um "pastejo voraz", consumindo todas as forragens, das mais às menos palatáveis, permitindo uma "justa competição" entre as espécies, o que acaba favorecendo as espécies de melhor qualidade. Tem-se então a seleção positiva das espécies forrageiras e a melhoria geral das pastagens.

Finalmente, quero deixar para reflexão dos leitores, uma máxima que sempre uso em palestras e que faz parte da sinopse de um dos meus livros:
"Antes de se tornar um bom produtor de carne (ou leite), é necessário que o pecuarista se torne um excelente produtor de capim".

Principais publicações sobre a Pastagem Ecológica e Pastoreio Racional Voisin:
MELADO, Jurandir. Formação e Manejo de Pastagem Ecológica. Viçosa, CPT, 1999. 70 p. (Manual do Videocurso de mesmo nome)
MELADO, Jurandir. Manejo de Pastagem Ecológica - Um Conceito Para o Terceiro Milênio. Aprenda Fácil Editora, Viçosa - MG, 2000. 224 p.
MELADO, Jurandir. Manejo Sustentável de Pastagem sem o uso do fogo. Embaixada da Itália, Brasília - DF, 2002. 60 p.
MELADO, Jurandir. Pastoreio Racional Voisin: Fundamentos - Aplicações - Projetos. Aprenda Fácil Editora, Viçosa - MG, 2003. 300 p.
ROMERO, Nilo Ferreira. Alimente seus pastos com seus animais. Guaíba - RS, Livraria e Editora Agropecuária Ltda., 1994. 106 p.
ROMERO, Nilo Ferreira. Manejo Fisiológico dos pastos nativos melhorados. Guaíba - RS, Livraria e Editora Agropecuária Ltda. , 1998. 110 p.
SORIO Jr., Humberto. A Ciência do Atraso: Índices de lotação da Pecuária do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Editora da UFPS, 2000. 160 p.
SÓRIO JR., Humberto. Pastoreio Voisin: Teorias - Práticas - Vivências. Passo Fundo - RS, Editora da UPF, 2003. 400 p.
VOISIN, André. Produtividade do pasto. São Paulo: Editora Mestre Jou. 1974. 520 p.
VOISIN, André. Dinâmica das pastagens: devemos lavrar nossas pastagens para melhorá-las? São Paulo: Editora Mestre Jou. 1.979. 407 p.3

Serviço:
Jurandir Melado é engenheiro agrônomo, professor aposentado da UFMT, consultor e autor de livros sobre Manejo Sustentável de Pastagem.
E-mail: juramel@terra.com.br
Site: www.fazendaecologica.com.br
Fone: (27) 3362-2258

Nota: É proibida a reprodução deste texto em qualquer veículo de comunicação sem a autorização expressa do autor. Só serão permitidas citações do texto desde que acompanhadas com a referência/crédito do autor.

Fonte: Jurandir Melado

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