Detetização Brasília, DF

Conheça os tipos de aranhas e as lesões que elas causam aos animais domésticos. O biólogo e veterinário Gerson Bertoni descreve os sintomas dos animais contaminados pelo veneno dos aracnídeos. "O veneno da aranha além da capacidade de matar a presa, contém enzimas digestivas, as quais dissolvem o conteúdo da vítima, bastando depois sugá-la", ele relata.

canil macedo
61 33392898 61 98184999
shis conj 28 casa 35
brasilia, DF
 
Casa do Gato CLínica Veterinária
(61) 3965-4090
CLN 105, Bloco A, Loja 42
Brasília, DF
 

Detetização

Editoria: Vininha F. Carvalho17/2/2007

Lesão causada pela picada de aranha em animais domésticos

Quase nove décimos de todos animais que atualmente povoam a Terra pertencem a um grupo zoológico (Phylum) denominado de Arthropoda. Chamam-se artrópodes estes seres articulados que apresentam suas pernas e extremidades bucais compostas por diversas peças que formam verdadeiros artículos móveis. Outra característica dos artrópodes é a de possuírem uma carapaça de quitina dura e rígida, formando um verdadeiro exoesqueleto (esqueleto externo) protetor.

Os artrópodes compreendem as seguintes classes, conhecidas como: Arachnida, Crustacea, Onycophora e Insecta. A classe dos aracnídeos abrange dez ordens, sendo que as de maior importância são as do Scorpiones (escorpiões), Araneida (aranhas) e Acarina (carrapatos e ácaros).

A ordem Araneida compreende as aranhas, as quais como característica principal, todas elas apresentam quatro pares de pernas. Formam um grupo de maior evidência pelo elevadíssimo número de espécimes que apresentam, pelo enorme poder de adaptação às variações do ambiente e principalmente porque algumas aranhas podem picar e inocular um veneno perigoso em animais e humanos.

As aranhas são tão férteis e chegam a produzir tantos ovos durante suas vidas, que dos quais se todos vivessem e se reproduzissem, dentro de poucos anos teríamos camadas de aranhas de alguns metros a sepultar toda superfície terrestre. Grande parte delas passa despercebida pelos homens pois são minúsculas atingindo apenas 1 a 2 mm de comprimento, vivendo praticamente enterradas, entre as raízes das plantas, alimentando-se de pequenas brocas, larvas e nematóides daninhos, prejudiciais à agricultura.

Outras aranhas, já bem maiores, as caranguejeiras podem ter o tamanho da palma da mão humana, alimentam-se de lagartixas, filhotes de pássaros em seus ninhos, camundongos sem pelos, pequenas cobras, porque apresentam fileiras de dentes agudos sob os ferrões, transformando os pequenos ossinhos, músculos e tendões da presa em uma fina papa possível de ser engolida.

Existe aranhas nas regiões gélidas subpolares de ambos hemisférios, nos climas subtropicais, climas quentes, desertos, florestas, plantações, aranhas “enterradas”, terrícolas, nas flores, nos arbustos, pântanos, cavernícolas, errantes, “domésticas” (os famosos papa-moscas). Algumas delas são adaptadas à vida subaquática e outras até marinhas. Pode-se dizer que as aranhas apenas ainda não conseguiram “criar asas”, muito embora algumas caranguejeiras da Amazônia conseguem lançar-se ao ar de alturas consideráveis das copas das árvores onde vivem e “planam” suavemente para o solo, pois apesar de grandes são extremamente leves.

Entretanto, como tudo na Natureza tem controle, a população das aranhas é mantida dentro de limites toleráveis através da luta pela sobrevivência com a seleção da mais apta, porque muitos outros animais dependem delas para se alimentar. As aranhas servem de alimentos para muitos outros animais tais como pássaros, mamíferos, insetos, anfíbios, répteis e mesmo entre elas ocorre intenso canibalismo (aranhas se alimentando de outras aranhas).

Pode-se afirmar que todas as aranhas são carnívoras preferindo caçar a sua presa viva, segurando-a com as garras da extremidade de suas pernas, encravando nela as duas pinças veneníferas , matá-la e comê-la em seguida.

O veneno da aranha além da capacidade de matar a presa, contém enzimas digestivas, as quais dissolvem o conteúdo da vítima, bastando depois sugá-la.

Há dois principais métodos das aranhas se apoderarem da presa :

O primeiro método se baseia naquelas aranhas que caçam quando pressentem sua vítima valendo-se de sua acuidade visual e agilidade no salto. Estas aranhas não constróem teias para caçar, são errantes e costumam andar sozinhas.

O segundo método compreende as aranhas que constróem teias através de glândulas especiais localizadas em seus abdomens, glândulas estas denominadas de fiandeiras. Estas teias são colocadas em locais estratégicos onde passam os insetos alados ou obstruindo a correnteza de vento.

A título de curiosidade o fio de seda produzido pelas fiandeiras das aranhas consiste de centenas de fios individuais e mede quando visível a olho nu, cerca de 0,01cm de espessura. Antes de ser rompido, cede aproximadamente 20% de seu comprimento e é cerca de 80 vezes mais resistente do que um fio de aço de mesma espessura!

Se levarmos em consideração que existem trilhões de aranhas sobre a Terra, todas predadoras e carnívoras, a destruírem bilhões e bilhões de insetos nocivos às nossas plantações e colheitas, poderemos imaginar que sem a colaboração delas provavelmente morreríamos de fome. Devemos acrescentar ainda que as aranhas colaboram com a Saúde Pública, eliminando insetos hematófagos (sugadores de sangue), hospedeiros e transmissores de doenças, prevenindo assim muitas epidemias.

Apesar das aranhas poderem jejuar durante meses, também têm a capacidade de devorar de uma vez só o equivalente ao seu próprio peso, distendendo o abdômen. Imaginem só, quantas moscas e mosquitos as aranhas podem comer diariamente, sabendo-se que aproveitam somente o líquido interno da vítima! Convém salientar que até hoje não se conhece nenhuma doença que fosse transmitida por aranhas.

Portanto, por mais estranho que possa parecer, podemos concluir que na realidade todos nós estamos rodeados por aranhas, por todos os lados. Isso exige forçosamente que façamos urgentemente uma revisão do que nos foi ensinado a respeito delas, pois as aranhas são extremamente úteis aos fazendeiros, sitiantes e a todo aquele que mora na periferia da cidade e que tenha um jardim ou quintal.

Cabe também a nós orientarmos que dentre a imensa maioria de aranhas úteis e desejáveis, há infelizmente algumas bastante venenosas e que realmente picam. Destas aranhas venenosas que iremos tratar agora, obviamente sem a pretensão de se falar tudo a respeito delas, vamos procurar esclarecer algumas dúvidas e sobre a ameaça que elas possam representar.

É oportuno que antes de comentarmos sobre as principais aranhas venenosas, que façamos um breve comentário com relação aos acidentes causados por picadas de aranhas em animais domésticos em nosso atendimento clínico cotidiano.

Picadas de aranhas em animais domésticos de maneira geral são menos freqüentes do que os acidentes em humanos. Isso ocorre principalmente devido a maior espessura da pele e também devido à proteção que os pelos proporcionam ao animal.

Os casos de animais picados por aranhas são aqueles casos em que freqüentemente o proprietário chega relatando que o cão ou gato foi surpreendido com alguma dor lancinante, durante a qual o animal gritou de dor e fugiu sem nem atender a chamados. É bastante raro que o dono do animal consiga trazer à clínica a aranha em questão, para que seja identificada.

Geralmente a aranha pica e foge rapidamente, daí a importância de fazermos uma cuidadosa anamnese (informações obtidas do proprietário sobre a situação atual do paciente).

Algumas horas após a picada e portanto à inoculação da peçonha no animal, examinando-se a região afetada poderemos perceber que a mesma encontra-se edemaciada, muito sensível, vermelha e inflamada. Dependendo da gravidade do caso, o animal poderá apresentar febre, inapetência e além disso, quando melhora a sintomatologia da fase aguda, muitas vezes surge na região da picada uma maior ou menor área de necrose (morte celular) dependendo da quantidade de veneno inoculado no tecido.

O prognóstico (predição da provável evolução e desfecho de uma moléstia) de animais picados por aranhas está sempre relacionado com o tipo de peçonha, a quantidade de veneno inoculada e com o porte do animal picado, pois animais menores, com menor massa corpórea, sempre têm maiores complicações. Em nossa observação prática, felizmente os casos de óbitos de animais são bastante raros com as aranhas que vivem em nossa região.

Depois de termos abordado todos estes aspectos importantes sobre aranhas em geral, faremos breves comentários sobre as principais aranhas realmente perigosas para o homem e animais.

TARÂNTULAS :

Aranha tarântula (Lycosa erythrognatha) em pé dentro do recipiente de vidro.

Da família Lycosidae, encontramos com o nome de Lycosa milhares de espécies de aranhas em todo o mundo e dentre elas existem cerca de 300 subfamílias na América do Sul e mais de 120 no Brasil.

As fêmeas são bem mais encorpadas do que os machos e podem atingir até uns 8 cm de tamanho, incluindo as pernas.
Como característica das fêmeas das licosas observamos o costume que apresentam em carregar na extremidade do abdômen uma esfera cheia de ovos denominada de ooteca.

São popularmente conhecidas como tarântulas e a razão deste nome se dá ao fato de haver muitas superstições e histórias inverossímeis a seu respeito.

Conta-se que na Idade Média, cidade de Taranto, existia uma tarântula tão venenosa que quando picava, provocava nas pessoas acidentadas uma agitação nervosa com movimentos involuntários, crises dolorosas e risos histéricos. Dançavam então freneticamente até ficarem banhadas de suor e caírem de cansaço. Após a recuperação muitas vezes nem se lembravam do que haviam passado no dia anterior. Daí nasceu a famosa tarantela, música de origem italiana, frenética, violenta e muito ritmada, parecendo alguém que apresentasse com muita dor.

As licosas são aranhas bastante astutas, extrovertidas, não constróem teias, ótimas caçadoras e extremamente ágeis, podendo trepar em todos lugares menos em superfícies muito lisas. São extremamente comuns aqui na região de Cotia e não há quem tenha um jardim, sítio ou fazenda que já não a tenha visto, pois é encontrada em todo lugar.

Os acidentes entre nós são muito comuns mas quase todos benignos em humanos, apesar da dor e da inflamação, verificando-se apenas pouca destruição da pele no local da picada. Além disso as licosas quando descobertas quase sempre se acovardam e procuram fugir rapidamente.

ARMADEIRA :

Uma aranha já bem mais perigosa, feroz e também relativamente comum entre nós é a aranha conhecida como “armadeira” (Phoneutria sp), portanto é bastante importante a conhecermos. A aranha armadeira tem este nome pois quando se sente ameaçada, costuma se armar erguendo os dois pares de pernas dianteiros.

Observa então atentamente os movimentos de seu inimigo, balançando o seu corpo e quando sente que já está bem próxima, ataca com um rápido e espetacular salto sobre a vítima encravando seus pontiagudos ferrões. É portanto a aranha que mais acidentes provoca nas pessoas e animais.

A maioria destes acidentes ocorre no interior das casas, quintais, jardins, garagens, quando se removem móveis, principalmente nas casas de fins-de-semana, por onde as armadeiras penetram por baixo das portas.

Precisamos ter muito cuidado ao calçarem-se sapatos pois as armadeiras costumam procurar lugares escuros, evitando a luz diurna direta. São crepusculares e noturnas e seus oito olhos dispostos em três fileiras lhes garante uma excelente visão no escuro. Seu corpo atinge por volta de oito a nove centímetros incluindo as pernas, são exclusivamente sul-americanas.

As encontradas no exterior provavelmente foram “exportadas” principalmente em cachos de bananas, onde são conhecidas pelos trabalhadores europeus e americanos principalmente em galpões de maturação de frutas tropicais como “banana-spider”.

A dor da picada é rápida e dolorosa. Dependendo da quantidade de veneno injetado e do tamanho da vítima poderemos ter sintomas mais graves como comprometimento do sistema nervoso central, febre, distúrbios cardíacos e respiratórios, deficiência visual, vertigens e em alguns casos mais graves evoluir até a morte, principalmente em crianças.

ARANHA-MARROM :

Aranha marron (Loxosceles similis)

Uma outra aranha importante de ser citada é conhecida como “aranha-marron” (Loxosceles sp). Trata-se de uma das aranhas mais perigosas pois possui uma das peçonhas animais mais ativas atualmente conhecidas sobre o organismo humano.

Apesar de suas dimensões não excederem os 23mm incluindo as pernas, seus ferrões são fortes apresentando somente três décimos de milímetro. Parece até incrível que esta pequena aranha consiga picar e perfurar a pele humana. Freqüentemente quando alguém é picado por essa aranha, tem-se a impressão que “algo picou mas nem se sabe o que foi”.

A quantidade de veneno que esta pequena aranha possui é extremamente diminuta. Entretanto o “loxocelismo”, quadro de intoxicação daquele que foi picado pela aranha-marron, pode ser considerado um dos mais perigosos envenenamento e um dos mais difíceis de se tratar em humanos, pois geralmente o médico é consultado tardiamente.

A sensação inicial após a picada é a de um mal-estar, nervosismo e elevação da temperatura corpórea. Posteriormente poderá apresentar náuseas, vômitos, dores de cabeça e lesões renais graves com hemorragia. Também nos pulmões poderemos ter alterações como presença de edemas e hemorragias.

O indivíduo picado pela aranha-marron poderá apresentar basicamente dois quadros clínicos: uma forma cutânea (mancha escura e posteriormente gangrenosa no local da picada), forma esta mais benigna e outra forma mais grave, a cutâneo-visceral.

Na verdade, sempre quando alguém é picado pela aranha-marron não se sabe qual será a evolução da doença. Em alguns casos persiste somente a reação local, com reação inflamatória, gangrenosa ou necrótica (cutânea). Nos casos mais graves teremos um comprometimento dos parênquimas hepático e renal. O sinal que evidencia a gravidade do caso é a redução ou ausência de micção e a urina com coloração amarronzada.

A aranha-marron constrói uma pequena teia irregular com cerca de uns 5 a 8cm nos cantos escuros com poucos fios entrelaçados com o centro mais adensado. Vive em adegas, quartos de despejo, garagens, dormitórios, atrás de quadros, roupas em cabides. É comum casos de acidentes humanos quando a pessoa veste uma roupa (ou mesmo roupa de cama), as quais foram secas próximas de pilhas de madeiras ou tijolos e acidentalmente a aranha-marron foi levada junto com a roupa.

Felizmente a aranha-marron é uma aranha muito tímida e pacífica e nunca se coloca em posição de defesa. Pica apenas quando acidentalmente é espremida sobre nossa pele, pois se entrar em contato com mãos, rosto, braços, etc., prefere correr sobre o corpo e fugir sem nunca oferecer ameaça, podendo até ser morta ou apreendida facilmente.
Quando molestada permanece completamente imóvel e até quando sua teia é destruída prefere fugir amedrontada, procurando rapidamente lugar escuro para se proteger. Uma prova disso é que a aranha-marron vive em grande número ao redor do homem e animais e apesar de seu perigoso veneno, casos de acidentes são considerados muito raros, a não ser em ocasiões excepcionais.

CARANGUEJEIRA :

Eupalaestrus sp

As aranhas caranguejeiras são as que apresentam os maiores representantes, existindo somente no Brasil cerca de 300 espécies. Alguns indivíduos vivem na região amazônica e são consideradas as maiores aranhas conhecidas, pois chegam a ter 50g de peso e uma extensão entre as pernas de até 20cm (pertencem aos gêneros Xenethis e Theraphosa).

As Avicularias também da Amazônia, são aquelas caranguejeiras grandes mas muito leves, parecendo leques e que podem “planar” no ar, quando querem saltar do alto das árvores ao solo.
No sul do Brasil temos as aranhas caranguejeiras muito mansas que quando em cativeiro podem até ser manejadas com as mãos desprotegidas, pois não picam. São também espécies grandes e pertencem principalmente ao grupo das Grammostola mollicoma, pretas e aveludadas. Temos também as Eupalaestrus sp encontradas nas margens do Rio Paraná, as Pamphobeteus platyoma encontradas no estado de São Paulo, todas elas consideradas relativamente mansas.

Outras já são muito agressivas (Acanthoscurria atrox, A. juruenicola e A. Rondoniensis), vivem principalmente na região central do Brasil e picam facilmente, porém apesar da ferocidade e do temor que provocam nas pessoas, seu veneno tem pouca ação no organismo humano.

Do Nordeste ao Rio de Janeiro existe uma caranguejeira curiosa, a Lasiodora klugi, a qual quando molestada e não pode fugir, vira sua região posterior contra o inimigo e esfrega rapidamente o dorso do abdômen bombardeando-o com uma nuvem de finos pelinhos urticantes, que em contato com os olhos ou narinas são extremamente irritantes.

Em São Paulo encontramos principalmente dois gêneros de caranguejeiras Pamphobeteus e Acanthoscurria, com cerca de 8 espécies. São relativamente inofensivas e sempre fogem, mas se tomadas na mão podem picar. Costumam provocar pânico e alvoroço quando vistas em quintais e jardins públicos.

Embora as caranguejeiras tenham uma má fama por sua aparência e tamanho podemos acreditar que quase sempre são inofensivas. Porém, nem todas as caranguejeiras do mundo são inofensivas, pois na África e Austrália encontramos caranguejeiras muito temidas devido ao seu poderoso veneno, podendo ser comparado ao das armadeiras ou da viúva-negra .

As caranguejeiras são noturnas ou crepusculares, vivem praticamente isoladas e são intrépidas caçadoras e tecem teias somente quando precisam. Podem ser consideradas úteis ao homem pois combatem outras aranhas perigosas, tais como as armadeiras, as tarântulas e até escorpiões. Vivem bem em cativeiro, desde que haja muita higiene e fornecimento de água adequado. Nós mesmos tivemos a experiência de criar uma caranguejeira, a qual foi apreendida na região de Ibiúna e que morreu de velhice com mais de 15 anos de idade (chamava-se “Raimunda”!).

VIÚVA NEGRA :

Lactrodectus curacaviensis

A título de completarmos o assunto sobre as principais aranhas perigosas, faremos um breve comentário sobre uma aranha conhecida como viúva-negra (gênero Lactrodectus sp).

Deixamos justamente para o fim este assunto pois nunca tivemos casos de animais acidentados por este tipo de aranha aqui na região de Cotia. Entretanto, é também uma aranha importante de ser citada, pois como trata-se de uma das aranhas mais perigosas e discutidas há séculos, com centenas de publicações médicas e científicas a respeito.

Todos os anos, o número de vítimas humanas picadas pela viúva-negra no mundo atinge a cifra de milhares de indivíduos, com dezenas de casos de mortes, se não tratados. Além dos acidentes descritos em humanos em vários países (Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Estados Unidos, Europa, Austrália, etc.), temos casos descrito de animais de grande porte picados pela viúva-negra, tais como bovinos, camelos, cavalos, etc., muitos dos quais evoluem também para a morte.

As viúvas-negras são habitualmente consideradas aranhas de campo. Parece entretanto que segue o homem em suas atividades culturais, perto das fazendas e algumas até trocando as condições ambientais por alpendres, garagens, silos, etc. O problema da viúva-negra é que onde aparece uma destas aranhas, freqüentemente podem existir centenas. Imagine a gravidade da situação se a encontrarmos em plantações, pastagens, locais estes onde existe pessoas trabalhando ou criação de animais.

A viúva-negra é uma pequena aranha, com cerca de 1cm de comprimento, corpo todo preto e abdômen volumoso, esférico, preto com uma mancha vermelha. São aranhas tímidas, sedentárias, constróem teias de aspecto desordenado em três dimensões com refúgio mais denso, onde coloca os ovos (ootecas).

Em locais onde existe muitas viúvas-negras, cada uma ocupa cerca de um metro quadrado, espaço este muito respeitado pela vizinhas pois um confronto sempre redundará numa luta de morte. Apenas os indefesos machos conseguem trepar cuidadosamente nas teias das fêmeas para alimentar-se das sobras das refeições.

Após o acasalamento os machos perdem seus genitais provocando sua morte, daí a razão do nome de “viúva”, pois antes pensava-se que a fêmea matava o macho após a cópula.

No Brasil foram descritas três espécies desta temível aranha, a L. geometricus encontrada em praticamente todo o Brasil, felizmente esta espécie pouco perigosa. Temos a L. mactans encontrada em Mato Grosso, considerada muito perigosa e a L. curacaviensis, também perigosa e encontrada numa extensa faixa litorânea desde Pernambuco até o Rio de Janeiro.

Os sintomas causados pela picada da viúva-negra é semelhante no mundo inteiro, variando apenas na intensidade do veneno. No local da picada praticamente não se observa alteração alguma, posteriormente teremos febre, dores violentas nos órgãos internos e articulações, depois queda da temperatura, calafrios, cãibras, os dedos das mãos e dos pés se recurvam, suores, palpitações cardíacas, um terrível mal-estar que se não tratado pode sobrevir a morte.

O tratamento se baseia principalmente em soros antilatrodectus, antiálgicos, calmantes e tônicos cardíacos. Acredita-se que o veneno das viúvas-negras deva conter componentes tóxicos diferentes dos da aranha armadeira, dos escorpiões e das cobras corais e cascavéis. As toxinas atuam no sistema nervoso central, periférico e musculatura lisa que reveste os principais órgãos do corpo.

É portanto imprescindível que nos países onde se encontra este tipo de aranha, se tenha à disposição soros específicos (antilatrodectus), porque atualmente sabe-se através de estatísticas que cerca de três por cento das vítimas, se não tratadas, sucumbem quando picadas pela viúva-negra.

Apesar de sabermos que o mundo apresente seres assim potencialmente perigosos, cumpre que conheçamos o problema e saibamos como tratá-lo. Nada justifica destruição do meio ambiente pois todos nós construímos o mundo em que vivemos durante nossas vidas.

A responsabilidade é toda nossa se nos comportarmos de uma maneira inadequada e que torne insatisfatória a qualidade de vida no planeta. Nós seres humanos vivemos com todos os outros seres vivos, e portanto compartilhamos com eles o processo vital.

Fonte: Dr. Gerson Bertoni Giuntini - Biólogo, Engenheiro Agrônomo e Veterinário
Fonte Link: http://www.policlinicaveterinaria.com.br

Clique aqui para ler este artigo na Animalivre