O que é o quelóide: prevenção e tratamento Rio Branco, Acre

O quelóide é um hipertrofia celular que ocorre nas lesões cicatriciais de algumas regiões do corpo. Falando no lingua popular queloide e " um corte mal cicatrizado" . Saiba mais sobre este assunto no artigo abaixo.

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O que é o quelóide: prevenção e tratamento

"O Quelóide é uma manifestação exagerada na cicatrização de lesões na pele em algumas regiões do corpo. Sua forma causa grande dissabor por ser de aspecto antiestético. Suas origens, bem como locais de ocorrência são descritos no texto a seguir".

Definições

O quelóide é um hipertrofia celular que ocorre nas lesões cicatriciais de algumas regiões do corpo, ou seja é uma hiperplasia, sendo que hiper quer dizer aumento e plasia, celular. Mas, a origem não é só devida a uma transformação celular, explica o cirurgião plástico Antono Bartuíra Tornieux, "não é só celular por que o colágeno que atua no processo é uma matéria que não está contida celularmente, pois funciona como uma espécie de ‘cimento’ e provoca a cicatrização de forma exacerbada".

Os fibroblastos é que criam o colágeno; eles sofrem com o tempo a maturação de jovem a adulto. Nessa passagem, a célula dá condições para que se eleve em quantidade exagerada o tecido. Essas lesões fibroblásticas podem apresentar diferenças mínimas nos aspectos clínicos e histopatológicos, mas representam tipos bem distintos de crescimento de tecido e exigem terapêutica de certa forma diversa.

Regiões Mais Comuns

Existem algumas regiões em que o quelóide apresenta uma incidência maior. Na pele do tórax na parte da frente do corpo ou anterior, por que a pele é mais espessa, diferente da pele da mama. Por exemplo, na mama há uma derme menos espessa. Quando a incisão cicatricial ocupa uma região transitória do sulco mamário, no qual parte é a pele do tórax e parte do tecido mamário é possível que o quelóide não aconteça em toda a extensão do corte. "Portanto, pode ocorrer de forma pontilhada ou por segmentos ou na horizontal; ou também na pele em torno da auréola do bico do seio", acrescenta o Dr. Tournieux.

Há registros de casos na região auricular, mais precisamente no lóbulo da orelha. A pessoa fura com brinco e a hiperplasia se instala, às vezes em grande intensidade; a ponto de que em algumas tribos africanas, em função da incidência freqüente de quelóides, as orelhas se transformam em pontos de adornos. Outras áreas do corpo de maior incidência são: a região pré-esternal, ombros, dorso, queixo e porção inferior das pernas, que apresentam maior risco de aparecimento dessas lesões. Boa parte dos quelóides costuma surgir até um ano após o trauma.

Informa o Dr. Tournieux que um colega de Santos, o Dr. Silvio Corrêa, fez um estudo para identificar a incidência do queloide nas regiões do corpo. Na pesquisa, ele concluiu que nunca foi encontrado quelóide em alguns locais do corpo, como o couro cabeludo, por exemplo. A planta do pé é outra região, embora não tenha cabelos como o couro cabeludo e as razões não são conhecidas. O Dr. Tournieux argumenta que pode ser pela pressão constante que sofre essa área em função da sua função física. Também não há registros do surgimento de quelóide em determinadas regiões nas quais a pele é fina, por exemplo como é o caso da região puerperal.

Na raça negra há chance maior dessa manifestação, mas isso não quer dizer que a raça branca não as apresente, bem como os pacientes com idade entre 10 e 30 anos desenvolvem lesões com maior freqüência do que as crianças pré-adolescentes e adultos mais velhos, explica o Dr. Tournieux.

Como São os Quelóides

Os quelóides são geralmente sem sintomas, mas, algumas vezes, podem ser pruriginosos e em outros dolorosos; espontaneamente ou através da palpação. As cicatrizes costumam se apresentar largas ou espessas em tamanho maior do que esperado, havendo uma relação correspondente entre a forma e tamanho da lesão.

Esse fenômeno inicia como placas rosadas ou vermelhas, de consistência firme e elástica, bem definidas. Nos primeiros meses sua identificação pode ser comprometida, mas, a seguir, o crescimento excessivo e descontrolado faz com que a cicatriz cresça além dos limites da lesão original, se torne lisa, de forma irregular, hiperpigmentada, de consistência rígida e sintomática.

Formas de Prevenção e Tratamento

Para o Dr. Tournieux, não há grande problema com o quelóide hoje em dia, pois é possível fazer uma grande cirurgia identificando anteriormente essa predisposição através de uma cicatriz anterior do paciente, até de um machucado. Para evitar ou amenizar o quelóide é possível fazer a betaterapia que é uma radioterapia que busca atenuar ou diminuir a incidência de colágenos produzidos pelos fibroblastos.

A utilização da injeção intralesional de corticosteróides com seringa ou Dermojet em geral produz excelentes resultados. De acordo com informações do artigo sobre Quelóides publicado na Bibliomed.com.br, "Em culturas de fibroblastos da pele os glicocorticóides diminuem especificamente a síntese do colágeno em comparação com a síntese total de proteínas. Além disso, os glicocorticóides aceleram a decomposição do colágeno nos quelóides".

O uso de corticóide é também indicado logo no início em que o quelóide está se manifestando na cicatriz quando está aparecendo um relevo maior. O medicamento é colocado na lesão. A manipulação do corticóide tem que ser muito cuidadosa para não atingir as adjacências da cicatriz pois, se isso ocorrer, pode atrofiar o tecido bom também.

Pode haver uma certa dificuldade inicial em se injetar o medicamento devido à rigidez das lesões. À medida que estas se tornam menos sólidas e elevadas, a injeção se torna mais fácil. O congelamento com aplicação de nitrogênio líquido em spray ou em swab de algodão, antes da infiltração, torna a lesão edematosa e menos densa, propiciando injeções mais fáceis e precisas.

Uma vez instalado o quelóide, o tratamento pode consistir de uma a cirurgia na qual a cicatriz anterior é retirada. Após essa fase, é feita outra cirurgia na qual o tecido pode ser preparado pela betaterapia ou, posteriormente na remoção dos pontos e se for observada uma elevação da linha cicatricial, é utilizado corticóide, pondera o Dr. Tournieux. Após a cirurgia recomenda-se compressão e pressão constantes durante um período aproximado de quatro a seis meses. A aplicação de ácido retinóico a 0,05% duas vezes ao dia apresentou resultados favoráveis em 77% de 28 casos refratários à outras terapêuticas. Há evidências in vitro de que o ácido retinóico diminui a produção de colágeno nos quelóides.

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