Reflexões Sobre o Currículo Oculto nas Séries Iniciais Rio Branco, Acre

O currículo oculto aparece desde a determinação dos objetivos pedagógicos do projeto escolar, até na prática pedagógica do professor.O professor quando não atribui valor aos conhecimentos prévios dos alunos, por considerações pessoas ou filosóficas, auxilia nesse processo da reprodução cultural.

UFAC
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R. L. P. dos Santos - Me
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SESI - Serviço Social da Indústria - AC
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A F Carneiro
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Instituto de Ensino Superior do Acre
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M. S. Pre-vestibular Ltda
(68) 3224-0726
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SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(68) 3223-3678
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Faculdade Barão do Rio Branco
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Sociedade Educativa Acreana Ltda
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Reflexões Sobre o Currículo Oculto nas Séries Iniciais

Desde 1902, com a publicação do livro The child and the curriculum de John Dewey, que ressaltava a importância da valorização das experiências dos alunos, independente da relação da formação para o trabalho, temos o início da discussão da necessidade de avaliação do currículo e da postura do professor frente a política pedagógica adotada pela escola. Apesar de tantos anos terem se passado e de estarmos no século XXI, vemos a reprodução do modelo criticado por Dewey e por outros teóricos, de forma irrefletida.

No Brasil temos a imensa maioria de estudantes frequentando a escola pública, grande parte dos alunos são da camada pobre da população. Esse fator econômico influencia na prática educativa do professor na medida que o currículo é estabelecido para crianças da cultura dominante, ou seja, o conhecimento dos alunos pobres não são aproveitados muitas vezes, porque alguns professores não consideram esses conhecimentos válidos para o ensino aprendizagem. Sendo que essa cultura passa a ser desvalorizada, como algo não correto, pois não corresponde às determinações da cultura dominante.

Para a ideologia dominante é importante que o sistema social continue igual, pois assim seus representantes manteriam a condição de dominante, detendo o poder econômico e estabelecendo a cultura que seria seguida pelas demais classes sociais. Isso se realiza através da educação autoritária, onde o aluno não participa ativamente do processo educativo e onde não desenvolve a consciência crítica da sociedade. Através da transmissão do conteúdo curricular e de um modelo de economia, aprendido pelos alunos na escola, se estrutura a sociedade capitalista, que é a qual vivemos.

Na sociedade capitalista, o trabalhador precisa respeitar o patrão e não questionar se quiser se manter no emprego. Esse modelo de relação trabalhista, é ensinado pela escola, principalmente a escola pública, porque os alunos pobres aprendem tanto na relação com os agentes educativos e com o professor, como com o currículo oculto, a serem pacíficos, a não criticarem.

O currículo oculto aparece desde a determinação dos objetivos pedagógicos do projeto escolar, até na prática pedagógica do professor.

O professor quando não atribui valor aos conhecimentos prévios dos alunos, por considerações pessoas ou filosóficas, auxilia nesse processo da reprodução cultural.

Muitas vezes o educador não reflete sobre a sua importância para as modificações sociais, e isso ocorre quando este não desenvolveu a capacidade de reflexão crítica.

As séries iniciais são o ponto de partida na vida acadêmica e na tomada do desenvolvimento da autonomia reflexiva da criança, por isso, a construção da criticidade tem seu início nos primeiros anos do ensino fundamental.

Além de refletir sobre essas considerações, o educador precisa agir frente as necessidades apresentadas, não que ele solucionará todos os problemas dos alunos e da escola, mas se tomar a iniciativa de trabalhar com os alunos, com os outros professores e com a comunidade para modificar ou melhorar alguma situação pela qual a escola e o aluno passa, com certeza estará realizando o segundo passo da reflexão crítica, que é a ação.

O ato pedagógico necessita de reavaliação constantemente, pois as modificações cotidianas da sociedade solicitam essa revisão.

A escola, demonstra ser o refúgio de muitas crianças pobres, assim como das crianças que tem a família desestruturada, ou sofrem privações econômicas que interferem no seu desenvolvimento escolar, portanto o educador precisa preparar-se para estes problemas, não só emocionalmente, como também avaliar que o ato pedagógico é uma das poucas profissões que permite intervir diretamente na estrutura social.

Se não há preparo filosófico e político, o educador, ao deparar-se com os problemas mencionados, tende a culpar o próprio aluno e alienar-se da situação.

Os conteúdos curriculares devem contemplar sempre a heterogeneidade de uma comunidade, assim como os educadores precisam envolver essa população, nas situações problemas.

A valorização dos alunos e da sua cultura permite a ação pedagógica em consonância com aquilo que eles podem realizar.

Desse modo, a sociedade democrática se constrói com a valorização do indíviduo e da diversidade cultural, social e econômica. Isso propicia o desenvolvimento das ações transformadoras.

Agir sozinho também não acarretará grandes mudanças na educação, é necessário incutir nos alunos e nos demais professores a necessidade dessas reflexões constantemente, para que estes influenciem outras pessoas, realizando o movimento da reprodução crítica e não mais da reprodução cultural.

Bibliografia:

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APPLE, Michael W. Política cultural e educação. São Paulo: Cortez, 2000.

_______Ideologia e Currículo. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

ARAÚJO, Ulisses F. Temas transversais e a estratégia de projetos. São Paulo: Moderna, 2003.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean Claude. A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino. 2. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

_______ Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, 29.ed., São Paulo: Paz e Terra, 2004.

GUZZONI, Margarida Abreu. A autoridade na relação educativa. São Paulo: Annablume, 1995.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? novas exigências educacionais e profissão docente. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2004.

SILVA, Ezequiel Teodoro da. Magistério e Mediocridade, 2. ed. São Paulo: Cortez, 1993.

Sobre o Autor

Pedagoga, com especialização em educação infantil.


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