BELO HORIZONTE - A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) alerta a população para a aplicação indevida de silicone industrial com o objetivo de alterar o corpo, como aumento dos seios, nádegas, pernas, panturrilhas e lábios. O produto não é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tampouco reconhecido pelo Ministério da Saúde.
Segundo Luiz Alberto Sabino Silva, cirurgião plástico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o uso indevido do produto, altamente tóxico, pode gerar diversas complicações ao organismo: contaminação bacteriana do tecido onde foi injetado, inchaço no local da injeção, feridas, deformações na pele, migração do produto para outras partes do corpo, além daquele em que foi injetado, já que é líquido, necrose da área onde houve a aplicação, amputação das partes comprometidas, infecção generalizada, entre outras.
“Este tipo de material pode ocasionar embolia e trombose em diferentes regiões do corpo devido à migração da toxina. As pessoas, quando desejarem implantar silicone, devem procurar um profissional competente e um local especializado para o serviço, pois as conseqüências podem ser irreversíveis, ocasionando, muitas vezes, a morte”, salientou Luiz Alberto.
A correção das complicações, entre elas a retirada do silicone, exige intervenção cirúrgica e não tem bom prognóstico, deixando muitas vezes cicatrizes irreversíveis. A gerente de Vigilância Sanitária em Medicamentos e Congêneres da SES/MG, Teresinha Póvoa, enfatizou que os produtos utilizados por profissionais habilitados na colocação de próteses de silicone são todos sujeitos ao controle sanitário e registrados na Anvisa. “O silicone industrial, usado em automóveis, é tóxico, sendo proibido seu uso para fins estéticos”, ressaltou.
Silicone Industrial
O silicone industrial é um produto facilmente encontrado em supermercados ou lojas especializadas em veículos, já que é utilizado para dar brilho, lustras e lubrificar peças automotivas, além de ter baixo custo. Outro fator que leva as pessoas a injetarem o produto como meio estético é que a intervenção, em muitos casos, é realizada em casa ou em clínicas irregulares, tornando o processo ainda mais barato.
A aplicação deste tipo de produto é geralmente realizada por pessoas intituladas “bombadeiras”. Elas utilizam seringas de uso veterinário para injetar o silicone. Faixas são amarradas no corpo delimitando as áreas que serão “bombadas”. Como os buracos feitos pelas agulhas são muito grandes, cada incisão é posteriormente fechada com cola forte de secagem rápida.
De acordo com Luiz Alberto, outro perigo em relação à aplicação do silicone, além da falta de assepsia durante a intervenção, é que se as agulhas, seringas, luvas e recipientes utilizados não forem descartáveis, pode haver, ainda, contágio de doenças infecciosas, como a hepatite e a Aids.
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